Se olharmos com atenção para
o mundo atual, perceberemos que estamos colhendo as consequências
das escolhas erradas que fizemos no passado. Vivemos em meio
às desigualdades sociais e econômicas do consumismo
exagerado, miséria urbana, da violência, poluição,
escassez de água, perda da fertilidade do solo entre
outros problemas.
Com o agravamento do colapso
ambiental, o conceito de sustentabilidade surgiu, foi desenvolvido
e amplamente discutido pelo mundo. A pilastra básica
que mantém essa visão é guiada pela idéia
de termos nossas necessidades atendidas sem comprometermos
o futuro das gerações que estão por vir.
Assim, podemos nos sustentar por tempo indeterminado, tendo
um equilíbrio entre três pilares – o social,
o ambiental e o econômico.
Agora, são diversas
as causas que tornam o mundo insustentável. Uma delas,
que vem acalentando os debates nessa área, é
o saneamento básico, que pode ser entendido como: conjunto
de medidas, visando preservar ou modificar as condições
do meio ambiente, com a finalidade de prevenir doenças
e promover a saúde, melhorando, assim, a qualidade
de vida da população e a produtividade do indivíduo.
Ele também tem influência direta sobre a atividade
econômica.
Dentro do contexto saneamento
básico, ao considerarmos especificamente somente o
esgoto, veremos que ele se tornou um grande problema para
o Brasil. A ONU adotou 2008 como o Ano Internacional do Saneamento
Básico, mas a situação aqui é
caótica. O esgoto não tratado contém
numerosos agentes patogênicos, micro-organismos, resíduos
tóxicos e nutrientes que provocam o crescimento de
outros tipos de bactérias, vírus ou fungos que
são causadores de inúmeras doenças. Além
do mais, o esgoto polui as águas e, só por aí,
já se justificaria a extrema necessidade e importância
de sua coleta e tratamento. Esgoto coletado e tratado garante
a qualidade de vida da população atual e futura.
Apesar da relevância
para a sustentabilidade, o saneamento está longe de
ser adequado. Os números assustam, pois mais da metade
da população brasileira não conta com
redes de coleta de esgoto e 80% dos resíduos gerados
são lançados diretamente nos rios, sem nenhum
tratamento.
Tal cenário gera a
contaminação dos mananciais e, consequentemente,
o consumo de água sem tratamento tem registrado milhares
de casos de doenças, como dengue, malária, hepatite
A, leptospirose, tifóide e febre amarela. Milhares
de crianças com menos de cinco anos morrem de diarréia
todos os anos.
As regiões Norte e
Nordeste apresentam os piores índices do Brasil, onde
mais da metade da população não conta
com rede de abastecimento de água e de esgotos.
Apesar do reconhecimento da
importância do desenvolvimento sustentável, o
saneamento básico tem caminhado na contramão
da sustentabilidade. É necessário promover mudanças
de atitudes, pois o modelo atual das relações
sociais, ambientais e econômicas encontra-se esgotado.
Na verdade, o momento atual
está marcado por uma mudança de valores. Estamos
como os olhos voltados apenas para um dos pilares da sustentabilidade,
o econômico. Vale lembrar que “o pior cego é
aquele que não quer ver”. Agora, resta saber até
quando poderemos ter as atenções voltadas somente
nos interesses econômicos? Talvez, quando acabarmos
com o planeta, teremos dinheiro suficiente para comprar outro
planeta.
Tudo considerado, vale entender
que enterrar canos e construir Estações de Tratamento
de Esgoto (ETEs) renderá poucos votos aos políticos,
ainda mais para aqueles que vivem de marketing e de holofotes
dá uma mídia comprada por migalhas. Basta atentar
para os meios de comunicação e entenderá
do que estamos falando.
Em 2010 e 2012, teremos novos
processos eleitorais. Aí voltarão em cena os
falsos e mentirosos discursos, dizendo que estão preocupados
com o meio ambiente e a saúde do cidadão. Porém,
infelizmente, continuemos viver embaixo desse “guarda-chuvas”
político, em que a elite é manipuladora, homicida
e egoísta. O meio ambiente é coletivo e não
individual, uma ação pode atingir milhões
de pessoas.
* OBSERVAÇÃO:
Este artigo foi elaborado em parceria com o acadêmico
Elder Camargo Rotondo – último ano de Administração
da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus
de Três Lagoas (MS). Desenvolve pesquisas e estudos
na área da Sustentabilidade.
(TRÊS LAGOAS - MS, 22
DE DEZEMBRO DE 2009)