Quem
olha para essa infinidade de terras que o Brasil possui chega
a crer que “Deus é Brasileiro”! Dia desses, conversando
com um amigo que veio do Japão e revelou que, lá,
as terras são otimizadas. Planta-se em qualquer espaço
vago. Lá, a segurança alimentar é tida
como uma das prioridades, já que a população
do Japão, em virtude da Guerra e duas bombas nucleares,
passou fome. Quando digo passou fome, refiro-me a todos e
não somente aos pobres, como ocorre aqui no Brasil.
Lá a elite sentiu o estômago clamar por alimentos.
Aqui, a elite sempre esbanjou muito. Desde o período
colonial, a “casa grande” sempre teve a mesa farta, mas a
“senzala” passou fome!
No nosso imenso Brasil, temos milhares de
terrenos baldios e áreas abandonadas nas cidades. Comumente
servindo para a especulação imobiliária,
sendo criadores de insetos e animais transmissores de doenças
ou então depósitos clandestinos de entulho e
lixo dos cidadãos que não possuem condições
mínimas de civilidade e de consciência ambiental.
Há casos que esses “sem consciência” utilizam-se
do fogo para realizar a limpeza dos terrenos, o que torna
o ar ainda mais seco e poluído com a fumaça
e as fuligens.
Um exemplo é a cidade de Três
Lagoas (MS), que se encontra em uma região quente,
de estiagem prolongada e umidade relativa do ar baixa, porém
a população persiste com a idéia de limpar
os terrenos ateando fogo. Já presenciei um cidadão
ateando fogo em resíduos orgânicos provenientes
de varrição de rua. Infelizmente, mal sabe esse
cidadão que o material que virou cinza poderia ter
sido compostado e se tornado adubo orgânico.
Mas o que poderíamos fazer para mudar
essa triste realidade dos espaços vagos nas cidades?
No Brasil, já existem casos bem sucedidos de municípios
que desenvolveram projetos de criação de hortas
e pomares urbanos. Essas áreas de cultivo tomam o lugar
do “matagal” ou do depósito de lixo, tornando-se hortas
comunitárias. Já os espaços públicos
e os fundos de quintal viram pomares trazendo frutas frescas
para a população e para os pássaros.
Toda a comunidade pode se beneficiar com esses
projetos. Onde já funciona é notado que os aposentados
são os que mais participam cultivando verduras, legumes
e frutas. A autoestima dessas pessoas se eleva e a incidência
de doenças e o consumo de medicamentos diminui. Além
do mais, garante alimentos frescos e sem agrotóxicos.
Eles passam a ter parte de seu tempo livre ocupado em uma
atividade que alivia o estresse.
Vale comentar que essas hortas e pomares também
podem ser feitas nos locais de trabalho. Dia desses, estive
visitando um amigo na cidade de Votuporanga (SP) e ele possui
uma empresa, onde me deparei com belos canteiros de alface,
rúcula e couve. Conversa vai, conversa vem e ele revelou
que era o idealizador da horta, e que lá descarregava
as energias negativas do dia a dia, por fim, me afirmou que:
“mexer na terra faz muito bem pra mim. O dia que não
mexo, sinto falta!”
Ampliando a idéia das hortas urbanas,
essas podem ser feitas em escolas públicas e, claro,
feitas pelos alunos. Existem crianças que nunca colocaram
a mão na terra. Nunca viram um pé de verdura
a não ser na gôndola dos supermercados ou na
hora da refeição. Essas hortas nas escolas poderiam
servir como aulas de educação ambiental e educação
alimentar, já que cada dia mais as crianças
optam pelo “fast food” repleto de gorduras. A Horta, e até
mesmo o pomar, seria o elo entre crianças e natureza,
ensinando-as que a terra tem que ser tratada, respeitada,
pois é dali que sai todo nosso alimento. Elas poderiam
interagir com o meio ambiente e pegar gosto pelas verduras
e frutas que viram nascer, crescer e desenvolver. As crianças
não comem verduras, afinal não sabem de onde
vieram e como foram plantadas. Sem terra não haveria
vida!
Para encerrar, gostaria de lembrar das hortas
urbanas, que são feitas sobre as lajes das casas, isso
em cidades que têm um clima propício, como a
região metropolitana de São Paulo. Essas hortas
são feitas utilizando recipientes que permitem o plantio
de verduras e não danifiquem o imóvel. Esses
recipientes são suspensos, evitando que a terra não
tenha contato direto com a laje, o que evita infiltrações.
Finalizando, afirmo que fazer uma pequena horta é muito
simples, basta começar. Comece plantando o cheiro verde
e os temperos que você usa no dia a dia depois que pegar
gosto, amplie para outras verduras e legumes. Bom plantio!
(TRÊS LAGOAS (MS), 04 DE SETEMBRO DE
2009)