Necessidade de Praças e Parques

Marçal Rogério Rizzo

“E ê criança presa ê, brinquedos de trapaças

Quase sem história pra contar

Você criança tão liberta me tire dessa peça,

E assim ter história pra contar”.

Benito de Paulo (Música: Amigo do Sol, Amigo da Lua)

 

Nestes dias, constatei que estou numa fase de observar. Ultimamente, ando, observo e reflito sobre coisas simples que ocorrem no meu dia-a-dia. Até diria que estou observando muito e andando pouco.

Muitas coisas que vejo tem me entristecido e, às vezes, sinto vontade de socializar esses olhares e reflexões. Isso vem bem ao encontro do que vou escrever hoje neste artigo.

Espero que o leitor não tome essas escritas como os resmungos de um crítico, mas, sim, como as escritas de um cidadão contribuinte de impostos e eleitor.

Sei que corro riscos de ser visto somente como mais um chato turrão, mas hei de sofrer, se não colocar essas inquietações em público. Sei também que, se cada cidadão colocar o que pensa em público, em especial para os políticos, a vida coletiva mudará. O que não podemos é concordar com o que está errado e ficarmos calados. Ah... Temos que deixar transparecer nossas inquietações nas urnas.

Então, comecemos pelas observações feitas a partir de um passeio de final de tarde na Terra do Boi. Numa praça de Araçatuba chamada Getúlio Vargas, que antes estava inutilizada, e foi recentemente remodelada, transformada em um ótimo espaço público e gratuito, voltado para ao lazer e esportes, pude ver o brilho nos olhos de jovens, idosos, crianças e até mesmo, por mais estranho que possa parecer, de um cão que acompanhava com uma criança que passeava pela praça. Parabéns ao brilhante idealizador deste espaço!

Ali, em poucos minutos, vi que o espírito de coletividade e de equipe estava sendo resgatado nos jogos de vôlei, basquetebol e de futebol. Vi a interação das várias gerações que utilizam os equipamentos de musculação e ginástica da academia a céu aberto.

Como ponto negativo, só constatei lixo sendo jogado pelo chão, já que a remodelação da praça não está concluída e não há nenhuma lixeira no local e, isso, certamente, será resolvido. Vi com muita tristeza dois menores consumindo cerveja e andando de motocicleta. 

Entretanto, parece que boa parte dos políticos brasileiros não observa isso. O ser humano precisa de espaço, de lazer, de esporte, de interagir com áreas verdes. Já é provado que em cidades da Europa, da Ásia onde há essa interação, homem com áreas de lazer e esporte, os índices de doenças são menores. Os povos da Ásia vivem mais e praticam esportes, em especial na melhor idade.

Aqui, no Brasil, estão planejando o investimento de milhões e milhões de dólares para construção e reforma de estádios de futebol para a Copa de 2014. Mas o pior dessa história é que esse volume de dinheiro ficará nas mãos da CBF que não parece ser muito confiável devido aos vários casos de desvios, superfaturamento que já foram amplamente difundidos por parte da imprensa. Cito aqui a revista Carta Capital.

Com essa montanha de dinheiro que será mal gasta com estádios de futebol poderiam ser criados vários espaços para o povo se divertir nas horas de lazer.

Muitas vezes, criticamos as gerações mais jovens que estão sedentárias, obesas e mesmo consumindo bebidas alcoólicas. Mas pergunto: Que lazer tem essas gerações? Que estímulo há para a prática de esportes?

Hoje, nós marcamos encontros com os amigos para comer ou beber e é isso que ensinamos para os nossos filhos. O lazer de grande parte da população está ligado ao de consumir. Há poucas cidades que têm parques, praças ou áreas de esportes que permitem o encontro de amigos.

As cidades deveriam criar espaços adequados e estimular os cidadãos a interagir com os mesmos. Lembro de exemplos em que há esses espaços públicos de lazer que são amplamente utilizados. A pequena cidade de Pedro Gomes (região norte de MS) tem uma área destinada à prática de vôlei de areia, futebol e caminhadas. Presidente Prudente (SP) tem o belo Parque do Povo.  Três Lagoas (MS) tem a Lagoa Maior. Campinas (SP) tem o Parque do Taquaral e o Bosque dos Jequitibás. Campo Grande (MS) tem o Parque das Nações Indígenas. São Paulo (capital) tem vários parques, mas destaco o Parque do Ibirapuera. Para encerrar, lembro dos vários parques de Curitiba que, hoje, atraem milhares de turistas e fazem parte do cotidiano do curitibano.

Visando a um futuro melhor para os nossos filhos, precisamos nos comprometer diretamente com as questões que envolvem o local onde vivemos. A não ser que estejamos satisfeitos com o fato de essa geração estar sendo treinada para interagir com o computador ou o videogame em um quarto, consumindo muitas calorias, sem saber andar de bicicleta já que não há espaço para tanto.

Faça que sua criança tenha  história pra contar!

 
Marçal Rogério Rizzo: Graduado em Ciências Econômicas, Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade Estadual de Campinas/SP (CESIT/IE/UNICAMP), Especialista em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Toledo de Araçatuba/SP (UNITOLEDO), Especialista em Gestão e Manejo Ambiental na Agroindústria pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Mestre em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas/SP (IE/UNICAMP) e doutorando em Geografia na área de Dinâmica e Gestão Ambiental pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCT/UNESP) – Campus de Presidente Prudente/SP. Brasil. Contato: marcalprofessor@yahoo.com.br