“E ê criança presa ê, brinquedos
de trapaças
Quase sem história pra contar
Você criança tão liberta me
tire dessa peça,
E assim ter história pra contar”.
Benito de Paulo (Música: Amigo do Sol,
Amigo da Lua)
Nestes
dias, constatei que estou numa fase de observar. Ultimamente,
ando, observo e reflito sobre coisas simples que ocorrem no
meu dia-a-dia. Até diria que estou observando muito
e andando pouco.
Muitas
coisas que vejo tem me entristecido e, às vezes, sinto
vontade de socializar esses olhares e reflexões. Isso
vem bem ao encontro do que vou escrever hoje neste artigo.
Espero
que o leitor não tome essas escritas como os resmungos
de um crítico, mas, sim, como as escritas de um cidadão
contribuinte de impostos e eleitor.
Sei
que corro riscos de ser visto somente como mais um chato turrão,
mas hei de sofrer, se não colocar essas inquietações
em público. Sei também
que, se cada cidadão colocar o que pensa em público,
em especial para os políticos, a vida coletiva mudará.
O que não podemos é concordar com o que está
errado e ficarmos calados. Ah... Temos que deixar transparecer
nossas inquietações nas urnas.
Então,
comecemos pelas observações feitas a partir
de um passeio de final de tarde na Terra do Boi. Numa praça
de Araçatuba chamada Getúlio Vargas, que antes
estava inutilizada, e foi recentemente remodelada, transformada
em um ótimo espaço público e gratuito,
voltado para ao lazer e esportes, pude ver o brilho nos olhos
de jovens, idosos, crianças e até mesmo, por
mais estranho que possa parecer, de um cão que acompanhava
com uma criança que passeava pela praça. Parabéns
ao brilhante idealizador deste espaço!
Ali,
em poucos minutos, vi que o espírito de coletividade
e de equipe estava sendo resgatado nos jogos de vôlei,
basquetebol e de futebol. Vi a interação das
várias gerações que utilizam os equipamentos
de musculação e ginástica da academia
a céu aberto.
Como
ponto negativo, só constatei lixo sendo jogado pelo
chão, já que a remodelação da
praça não está concluída e não
há nenhuma lixeira no local e, isso, certamente, será
resolvido. Vi com muita tristeza dois menores consumindo cerveja
e andando de motocicleta.
Entretanto,
parece que boa parte dos políticos brasileiros não
observa isso. O ser humano precisa de espaço, de lazer,
de esporte, de interagir com áreas verdes. Já
é provado que em cidades da Europa, da Ásia
onde há essa interação, homem com áreas
de lazer e esporte, os índices de doenças são
menores. Os povos da Ásia vivem mais e praticam esportes,
em especial na melhor idade.
Aqui,
no Brasil, estão planejando o investimento de milhões
e milhões de dólares para construção
e reforma de estádios de futebol para a Copa de 2014.
Mas o pior dessa história é que esse volume
de dinheiro ficará nas mãos da CBF que não
parece ser muito confiável devido aos vários
casos de desvios, superfaturamento que já foram amplamente
difundidos por parte da imprensa. Cito aqui a revista Carta
Capital.
Com
essa montanha de dinheiro que será mal gasta com estádios
de futebol poderiam ser criados vários espaços
para o povo se divertir nas horas de lazer.
Muitas
vezes, criticamos as gerações mais jovens que
estão sedentárias, obesas e mesmo consumindo
bebidas alcoólicas. Mas pergunto: Que lazer tem essas
gerações? Que estímulo há para
a prática de esportes?
Hoje,
nós marcamos encontros com os amigos para comer ou
beber e é isso que ensinamos para os nossos filhos.
O lazer de grande parte da população está
ligado ao de consumir. Há poucas cidades que têm
parques, praças ou áreas de esportes que permitem
o encontro de amigos.
As
cidades deveriam criar espaços adequados e estimular
os cidadãos a interagir com os mesmos. Lembro de exemplos
em que há esses espaços públicos de lazer
que são amplamente utilizados. A pequena cidade de
Pedro Gomes (região norte de MS) tem uma área
destinada à prática de vôlei de areia,
futebol e caminhadas. Presidente Prudente (SP) tem o belo
Parque do Povo. Três
Lagoas (MS) tem a Lagoa Maior. Campinas (SP) tem o Parque
do Taquaral e o Bosque dos Jequitibás. Campo Grande
(MS) tem o Parque das Nações Indígenas.
São Paulo (capital) tem vários parques, mas
destaco o Parque do Ibirapuera. Para encerrar, lembro dos
vários parques de Curitiba que, hoje, atraem milhares
de turistas e fazem parte do cotidiano do curitibano.
Visando
a um futuro melhor para os nossos filhos, precisamos nos comprometer
diretamente com as questões que envolvem o local onde
vivemos. A não ser que estejamos satisfeitos com o
fato de essa geração estar sendo treinada para
interagir com o computador ou o videogame em um quarto, consumindo
muitas calorias, sem saber andar de bicicleta já que
não há espaço para tanto.
Faça
que sua criança tenha
história pra contar!