O
susto pelo qual o País passou no último apagão
de energia deveria servir de alerta ao governo. Será que
ao nosso sistema elétrico não faltam investimentos
mais pesados em geração de energia, sistemas de
controle e capacitação de pessoal? O governo nega
e afirma que já investiu o suficiente, por enquanto. Será?
O aspecto engraçado na história foi a posição
do Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, que no dia
posterior ao acidente disse que o sistema elétrico é
muito sofisticado, podendo ser comparado a um avião; que
é moderno, mas as vezes cai. Logo em seguida, durante a
entrevista aos repórteres, o ministro disse que o problema
que causou o apagão havia sido um raio e que o assunto
estava encerrado. Estranho, pois quando caem aviões, as
investigações se arrastam por vários meses.
No caso da pane no sistema elétrico, sem investigação,
o assunto deveria se encerrar no dia seguinte – se dependesse
da vontade do ministro.
Assim, felizmente temos – segundo nossos governantes
– um sistema de geração e distribuição
de eletricidade moderno e sofisticado. A China, dados os investimentos
que vem fazendo nos últimos anos, estará certamente
querendo alcançar o nosso grau de eficiência. O país
asiático investe anualmente bilhões de dólares
na geração de eletricidade e planeja gerar até
2020, 20% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis.
Segundo a Greentech Initiative, entidade chinesa que reúne
ONGs, empresas privadas, governo e especialistas, o mercado de
energia renovável na China – incluindo energia hídrica,
solar, eólica e de biomassa – poderá movimentar
entre US$ 500 bilhões a US$ 1 trilhão em 2013. São
números astronômicos, se comparados com aquilo que
acontece no mercado brasileiro. Em 2013, dadas as condições
atuais, teremos, com muita sorte, investimentos de até
US$ 2 bilhões.
Somente em 2007, os chineses investiram US$ 12
bilhões em energia renovável, valor que só
foi ultrapassado pelos investimentos feitos pela Alemanha, que
aplicou US$ 14 bilhões para o desenvolvimento de seu parque
de energias renováveis. No caso do Brasil, no mesmo ano,
este mercado não foi superior aos US$ 750 milhões.
Os números do setor energético chinês, a exemplo
de sua economia, são impressionantes. Nos últimos
cinco anos, a China dobra a cada ano sua capacidade instalada
de energia eólica. Até 2020 o país planeja
atingir a cifra de 100 GW (gigawatts) de capacidade instalada
em energia eólica, o que iguala toda a capacidade de geração
de energia no Brasil, incluindo a usina de Itaipu, com 14 GW.
Os investimentos chineses não param por aí. O país
já é o maior usuário de painéis termosolares
para aquecimento de água e cresce rapidamente na geração
de energia solar fotovoltaica.
Evidentemente não podemos nos comparar
com a China, cuja economia em plena crise mundial continua a cresce
acima dos 8% ao ano. O país tem 1,3 bilhões de habitantes
– contra 190 milhões no Brasil – mas possui grande parte
de seu meio ambiente comprometido pela poluição
e pela destruição dos recursos naturais. Mas, se
quisermos ocupar um lugar de destaque na política e na
economia mundial nos próximos anos, precisaremos de políticos
investir na melhoria da infraestrutura do País. E, para
isso, precisamos de bons políticos. Mas não os que
se envolvem em negócios escusos e escondem o butim na meia
(ou na cueca).