RESÍDUOS OU RECURSOS?

Muitas empresas continuam produzindo grandes volumes de resíduos em seus processos produtivos. Para muitos empresários ainda continua sendo mais barato jogar o valor da matéria prima perdida no custo do produto, ao invés de melhorar seu processo produtivo; seja através da modernização das máquinas ou da capacitação de seu pessoal. O consumidor, por outro lado, continua com poucas informações a respeito do produto que está comprando. Ma como seria, se fosse possível ao consumidor saber o quanto de resíduo gerou a produção daquele produto, o volume de água gasto e até a quantidade de carbono emitida? Em pouco tempo, provavelmente, os fabricantes serão obrigado a colocar este tipo de informação em seus produtos. O consumidor poderá então escolher a mercadoria que além de ter o melhor preço também provoque menos impactos sobre o meio ambiente.

Resíduo é matéria prima mal aproveitada. Trata-se de algo ainda relativamente comum no Brasil, mas que aos poucos será mais raro. Quem perde matéria prima, tem custos maiores e perde a competitividade. Além disso, tem trabalho adicional ao dar uma destinação correta aos seus resíduos: reuso, reciclagem, aterro ou incineração. A questão do resíduo não é, portanto, somente uma questão ambiental, mas também de competitividade, para a empresa e para o País.

A Alemanha é um dos países onde a questão dos resíduos e dos recursos é tratada com bastante seriedade. Segundo dados recentemente publicados pelo jornal da Associação dos Engenheiros Alemães (VDI) cerca de 75% do volume total de resíduos gerados no País - industriais, domésticos e urbanos (poda de árvores, grama, etc.) é reaproveitado de alguma maneira; seja como insumo de produção industrial e agrícola ou para geração de energia. O resultado deste cuidado é que hoje a Alemanha gera anualmente cerca de 46 milhões de toneladas a menos de gases de efeito estufa do que em 1990. Não é de admirar, portanto, que a taxa de reciclagem de certos produtos seja tão alta. Cerca de 80% do vidro fabricado e comercializado no país (incluindo produtos importados) é reciclado, enquanto que resíduos de ferro são reciclados em quase 100%. A reutilização de papel, plásticos e resíduos vegetais para geração de energia, tem contribuído para uma redução na demanda de carvão mineral e petróleo para tais fins. Segundo estudo de mercado realizado recentemente por uma empresa de consultoria alemã, cerca de 52% do plástico já é utilizados para geração de energia através da queima, e 45% são reintegrados no processo produtivo. Através da utilização de compostos orgânicos na agricultura, resultantes da biocompostagem, a Alemanha economiza cerca de 10% do elemento fósforo, necessário ao solo e que na queima da biomassa se perderia.

Trata-se, pois, de planejar o reuso de recursos naturais e industriais, que de outra forma se perdem sem gerar nenhum tipo de benefício econômico, além de causarem impactos ambientais. Seria de grande ajuda, portanto, a obrigatoriedade de fabricantes declararem o impacto ambiental de seus produtos – uso de principais matérias primas, energia e água – além das emissões de gases causadas durante a produção. Com isso as empresas teriam a oportunidade de estudar seus processos e seus produtos, reduzindo eventuais perdas e impactos ambientais.

Ricardo Rose
Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Leiter der Abteilung Umwelt und Nachhaltigkeit
Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha
Deutsch-Brasilianische Industrie- und Handelskammer
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