Depois da grande
falta de eletricidade pela qual o Brasil passou em 2001, o uso
das lâmpadas fluorescentes aumentou. Hoje, o País
já produz 170 milhões dessas lâmpadas, contra
ainda 250 milhões de incandescentes. A fabricação
de fluorescentes ainda não é maior, devido ao baixo
poder aquisitivo de parte da população brasileira.
No entanto, as lâmpadas fluorescentes, apesar de pouco mais
caras, tem consumo menor de energia e uma durabilidade muito maior.
Enquanto a incandescente dura em média um ano, a fluorescente
pode iluminar por até oito anos; uma economia que vale
a pena, principalmente porque o custo da eletricidade no Brasil
é muito alto e só tenderá a aumentar. Outro
fator importante é que reduzir o consumo de energia e ter
o mesmo conforto – fato também conhecido como “eficiência
energética” – poupa ao País investimentos na construção
de novas hidrelétricas e termelétricas, estas últimas
acionadas por combustíveis fósseis, geradores de
gases poluentes.
Por consumirem muita energia, aumentando assim
a emissão de gases poluentes, as lâmpadas incandescentes
não poderão mais ser fabricadas ou importadas em
toda a União Européia, desde setembro de 2009. No
Brasil, também já existem propostas nesse sentido
tramitando no Congresso.
A questão ambiental, no entanto, tem que
ser considerada em todas as atividades humanas – se quisermos
ainda continuar habitando o planeta por muito tempo. As lâmpadas
fluorescentes, apesar de reduzirem o consumo de eletricidade,
contêm vapor de mercúrio, substância altamente
tóxica já em quantidades mínimas. O mercúrio
se acumula nos organismos, fixando-se nas células, causando
danos aos órgãos e até a morte. Mesmo que
não tenhamos contato direto com ele, pode acontecer nos
alimentarmos com produtos contaminados (pela terra, pela água)
pelo perigoso metal. Neste caso o que importa é impedir
que o vapor de mercúrio se espalhe no ambiente, o que é
perfeitamente possível através da reciclagem das
lâmpadas. Até o momento a reciclagem ainda não
é obrigatória e especialistas estimam que somente
5% do volume fabricado de lâmpadas fluorescentes são
efetivamente reciclados. O Estado do Paraná, no entanto,
se adiantou ao governo federal e criou uma legislação
obrigando os fabricantes a recolherem e reciclarem as lâmpadas
por eles fabricadas. Os produtores – Philips, General Electric,
Osram (Siemens) e Sylvania – não estão cumprindo
a legislação, pois alegam que os custos de reciclagem
das lâmpadas são muito altos. No entanto, através
da Associação Brasileira da Indústria de
Iluminação (Abilux) se comprometeram a apresentar
uma solução para a correta destinação
deste tipo de lâmpada ao governo federal, até final
de 2009.
As lâmpadas fluorescentes não podem
continuar a ser descartadas em aterros sanitários, sob
risco de contaminarem cada vez mais os lençóis freáticos
com mercúrio. Não é justo, que empresas privadas
repassem a responsabilidade pela destinação final
de seus resíduos perigosos às prefeituras, mantidas
com recursos dos contribuintes. A solução deverá
ser apresentada pelos fabricantes, que contarão com o apoio
dos consumidores, co-responsáveis pela correta destinação
final dos produtos. Ao Estado, em nome dos cidadãos, caberá
o controle do cumprimento da lei.