SERVIÇOS AMBIENTAIS DA MATA ATLÂNTICA

Cerca de 120 milhões de pessoas – 65% da população do Brasil – vivem em área de influência da Mata Atlântica, nas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e parte do Centro-Oeste. A fixação da população ao longo da costa no passado, deveu-se à dificuldade de penetrar o interior do território, em parte pelas escarpas da serra do Mar, pela densa floresta e a presença de índios por vezes hostis. As principais atividades econômicas durante o período colonial, os ciclos econômicos da cana-de-açúcar, dos minérios e o ciclo do café, ocorreram em regiões de domínio da Mata Atlântica. Com a diversificação econômica e a posterior industrialização, os antigos redutos urbanos transformaram-se em grandes centros urbanos e nas populosas regiões metropolitanas.

A floresta remanescente, cobrindo morros ou presente fora das áreas urbanas, ainda presta diversos serviços ambientais, que só agora passam a ser conhecidos com mais profundidade. A água consumida na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, é captada em diversos córregos e açudes que se formam em áreas ocupadas por florestas, localizadas ao norte e ao sul da capital. A umidade e a temperatura nas cidades do Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo, entre outras, ainda é influenciada pela Floresta Atlântica que se encontra no entorno destas cidades. Quanto mais os especialistas estudam a Mata Atlântica, tanto melhor reconhecem os benefícios que esta traz – apesar de cada vez mais devastada.

Por isso, encontra-se em tramitação no Congresso um Projeto de Lei que prevê o pagamento dos diversos serviços ambientais prestados pela Mata Atlântica, o que geraria fundos necessários para restauração de parte do bioma. Um dos maiores apoiadores do projeto é o Conselho de Coordenação do Pacto pela Mata Atlântica, lançado em maio de 2009 e que já conta com a adesão de 113 organizações, entre ONGs, institutos de pesquisa e empresas. O Conselho tem como meta principal a recuperação de 15 milhões de hectares da floresta atlântica até 2050. O objetivo é ambicioso, mas ao mesmo tempo necessário, já que entre 2005 e 2008 o bioma perdeu 102, 9 mil hectares de floresta nativa em dez Estados. A restauração da mata custa, em média, US$ 1 mil por hectare.

A Mata Atlântica é ocupada em sua maior parte por propriedades privadas. Os proprietários destas áreas receberiam um incentivo adicional para não desmatarem suas propriedades (apesar de já existir uma proibição) se fossem pagos pelo carbono fixado pela floresta em suas propriedades. Este eventual pagamento depende, no entanto, de negociações internacionais que ocorrem no âmbito do Protocolo de Kyoto. Outra fonte de renda para os proprietários – esta mais real e já instituída em algumas localidades – é o pagamento pela proteção da floresta em áreas de nascentes. Estas nascentes dão origem a riachos e rios que ajudam a abastecer de água um bom número de cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro. O pagamento aos “produtores de água” já está sendo feito por alguns comitês de bacias hidrográficas da região Sudeste.

A preservação e recuperação da Mata Atlântica não é somente uma questão ambiental. Hoje sabemos que os benefícios econômicos – os serviços ambientais – oferecidos pela floresta, são bastante altos.

Ricardo Rose
Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Leiter der Abteilung Umwelt und Nachhaltigkeit
Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha
Deutsch-Brasilianische Industrie- und Handelskammer
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