A PRAGA DO SACO PLÁSTICO

Uma espécie que se reproduz sem limites coloca outras espécies em perigo e com isso todo o sistema ecológico que habita. Exemplo disso são os coelhos que foram transportados para a Austrália. Não possuem predadores naturais no novo habitat, alimento em grande quantidade; condições ideais para a vida e a procriação. Transformaram-se em praga, estão em todo lugar. A natureza, por ser equilibrada não cria tais condições. A concorrência entre as espécies é constante e não ocorre que uma se sobreponha às outras por muito tempo; cedo ou tarde será desbancada. O desequilíbrio sempre é caudado pelo homem, porque hoje somos a espécie dominante e a que melhor pôde se adaptar aos diversos ambientes.

O homem, para seu uso, vem criando e cruzando diversas espécies de animais e plantas há milhares de anos. Vacas, trigo, aves, uvas, peixes, milho, rãs, couve, abelhas, batata, ratos, morangos, vermes, cerejas e milhares de outros. Tiramos estes seres de seu ambiente natural e os transformamos em espécies completamente diferentes de seus ancestrais. Uma seleção natural que uma espécie (a nossa, supostamente mais esperta) vem promovendo com outras. Assim como algumas formigas também fazem há milhões de anos com certo tipo de pulgão, de cuja secreção elas se alimentam. Nada de novo sob sol, já dizia o Cohêlet.

O homem, dotado de raciocínio mais claro do que o das outras espécies, também por isso tem lá os seus truques. Inventamos algumas maravilhas que a natureza ainda não conseguiu fazer – pelo menos é o que presumem os estrategistas de marketing. Falo do saco plástico, um dos produtos da nossa indústria de embalagens. Bastante usado na quase totalidade dos supermercados brasileiros, (em muitas coisas continuamos na rabeira da história) é utilizado para carregar qualquer tipo de coisa e ainda por cima serve muito bem como saco de lixo. Uma maravilha! Aliás, a imensa quantidade de embalagens que utilizamos em nossos produtos também é um bom cartão de visita – da nossa irresponsabilidade ambiental.

Mas, voltando a uma das maiores pragas ambientais, o saco plástico. Estatísticas informam que cerca de 150 sacos plásticos são produzidos a cada ano por pessoa. O consumo de sacolas plásticas é de cerca de 500 bilhões de unidades por ano, o que chega a 1,4 bilhões por dia; um milhão de sacos por minuto! Estamos ensacando o mundo – pelo menos uma parte do lixo! No entanto, apenas 0,6% destas sacolas são recicladas. O resto fica por aí, em lixões ou entupindo bueiros e canalizações, boiando em rios (principalmente em dias de chuva); enfim, embelezando as nossas (já tão limpas) cidades e enfeitando a paisagem. E tem mais: por não serem biodegradáveis, estes sacos ficarão nos fazendo companhia (e aos nossos descendentes) por pelo menos mais uns quatrocentos anos. No futuro os arqueólogos desenterrarão nossos esqueletos junto com sacos de plástico contendo restos de lixo – tudo petrificado.

Novamente esbarramos com a necessidade de criação de uma lei que definitivamente regulamente a gestão de resíduos sólidos, incluindo a praga dos sacos plásticos, que ainda continuam em todo o lugar. Enquanto as responsabilidades na gestão dos resíduos não forem estabelecidas, continuaremos entre outras coisas, a ver corridas de sacos plásticos cheios de lixo, sendo arrastados pela água em dias de chuva.

Ricardo Rose
Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Leiter der Abteilung Umwelt und Nachhaltigkeit
Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha
Deutsch-Brasilianische Industrie- und Handelskammer
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