A CONSTRUÇÃO VERDE

Usualmente, define-se a construção sustentável, ou construção verde, como sendo aquela que atende às necessidades de moradia da melhor maneira possível, sem causar impactos desnecessários ao meio ambiente, preservando ao máximo os recursos naturais. No Brasil, já temos alguns exemplos práticos de construção verde, que, se seguidos por outras construtoras, trarão um grande impulso ao setor. A empresa Ecoesfera, por exemplo, já construiu seis mil residências em todo o país, observando princípios básicos da técnica de construção sustentável. Em seus empreendimentos todos os prédios foram equipados com sensores de presença para o acendimento de lâmpadas (fluorescentes), instalaram-se sistemas de reuso de água para abastecer os sanitários e canos especiais para escoamento e possibilitar a reciclagem do óleo de cozinha. Os chuveiros funcionam com gás natural e a água de banho é pré-aquecida, através de placas de aquecimento solar. As áreas comuns dos prédios são iluminadas através de sistemas fotovoltaicos e cada apartamento tem um medidor individual de consumo de água e de luz. Além disso, os moradores dos edifícios dispõem de uma área comum para formação de uma horta e um pomar comunitários. Com todas estas inovações, segundo a companhia, a taxa de condomínio pode cair em até 30%.

A construção verde é uma tendência mundial, mas está mais propagada na Europa, onde a preocupação com a preservação dos recursos naturais está mais avançada. Em vários países europeus já existem normas de construção que obrigam os empreendedores a utilizarem técnicas de baixo consumo de água e energia, além de empregarem materiais menos tóxicos (tintas e colas sem solventes, por exemplo). As construções também são avaliadas pelo número de itens sustentáveis que incorporam e recebem uma pontuação. Quanto maior o número de pontos, mais sustentável a moradia. O país mais avançado na certificação de edifícios é a Inglaterra, onde até o momento existem 65 mil construções verdes certificadas e mais 200 mil encontram-se em processo de aprovação.

No Brasil ainda são poucas as construções certificadas. O número de edifícios verdes não passa de 30 unidades em todo o país. Como ainda não dispomos de uma norma brasileira para avaliação das construções, utiliza-se como parâmetro de certificação principalmente o sistema americano do Green Building Council (Conselho da Construção Verde) e o sistema francês Haute Qualité Environmentale (Alta Qualidade Ambiental). A tendência é que construções verdes aumentem nos próximos anos, principalmente de prédios de escritório de alto padrão, já que edifícios verdes têm valor de mercado mais alto. No entanto, para que isto aconteça, é preciso que toda uma cadeia de fornecimento de materiais – cimento, madeira, ferro, blocos, tijolos, telhas, hidráulica, elétrica e material de acabamento – também incorpore o conceito da construção sustentável.

Uma das providências para o desenvolvimento deste setor é a criação de normas mais detalhadas para fabricação dos materiais de construção e a fixação de patamares de consumo de eletricidade e água, para residências e prédios. Para que isto aconteça, é necessário que as associações dos fabricantes de materiais e das construtoras, além das prefeituras, se envolvam mais com o tema.

Ricardo Rose
Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Leiter der Abteilung Umwelt und Nachhaltigkeit
Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha
Deutsch-Brasilianische Industrie- und Handelskammer
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