Enquanto não é aprovada uma lei nacional para os resíduos sólidos o País continua gerindo mal seus resíduos, principalmente os domésticos. Poucos aterros regulamentados, baixos índices de reciclagem e diversos municípios brasileiros ainda sem coleta de lixo. Segundo dados do Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares 2009, 29 aterros municipais no Estado de São Paulo ainda permanecem em situação ruim, dos quais alguns correm riscos de interdição por terem ultrapassado sua capacidade e serem mal construídos.
A tendência é que muitos municípios encaminhem seu lixo para aterros operados por empresas privadas, por falta de áreas para expansão dos depósitos já existentes. A cidade de Sorocaba, por exemplo, tenta aprovar um local em área rural, mas não obteve autorização do Ibama. Nesta situação, terá que destinar seus resíduos para aterros privados, como já o fazem as cidades de Piracicaba, Araraquara e Araras, que tiveram seus depósitos interditados e precisam encontrar uma urgente solução para seu lixo.
A maior parte das cidades do Estado de São Paulo com mais de 100 mil habitantes, está com seus aterros com capacidade esgotada ou deve chegar a esta situação em poucos anos. O aumento da população e, consequentemente da geração de lixo, não tem sido acompanhado por um planejamento na gestão dos resíduos domésticos. Apesar do serviço de coleta estar implantado em quase todos os municípios paulistas – geralmente explorado pela iniciativa privada – a construção ou a reforma de aterros foi relegada para segundo ou terceiro planos pelas sucessivas administrações.
Uma solução alternativa para destinação do lixo foi encontrada pela prefeitura de Cantagalo, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. O município está destinando uma fração de seu lixo para a geração de energia na unidade de fabricação de cimento da empresa Lafarge. Os resíduos são direcionados aos fornos, gerando calor necessário para a produção de clínquer, a base do cimento. A solução ainda é nova, mas a tendência é que os volumes de resíduos domésticos destinados à geração de energia em cimenteiras aumentarão. A iniciativa não é inédita, já que tecnologia semelhante está sendo usada há vários anos em alguns países europeus.
O processo implantado em Cantagalo funciona em diversas etapas. Os resíduos orgânicos são destinados à compostagem enquanto que todo material de valor agregado é destinado à reciclagem. A sobra do lixo, formado por resíduos sujos, panos e tudo o que não tem utilidade, vai para o forno de cimento. Outras empresas produtoras de cimento, como a Camargo Corrêa Cimentos e a Votorantim Cimentos, também já têm planos para aderir à solução, aumentando assim o volume de resíduos processados por esta tecnologia.
A nova alternativa encontrada para o processamento de lixo deverá ajudar alguns municípios a darem conta de parte de seus resíduos domésticos. No entanto, não há tantas fábricas de cimento no Brasil, capazes de absorver grande parte dos resíduos produzidos nacionalmente. Além disso, quanto mais afastada a fábrica se encontra dos centros geradores do resíduo, tanto mais inviável economicamente se tornará o transporte. Portanto, a solução é boa para alguns municípios estrategicamente localizados. Os demais precisarão se esforçar para definitivamente gerir seus resíduos de maneira adequada.