LIXO E EDUCAÇÃO

 

Apesar de dispormos de serviços de coleta de lixo na maior parte das cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes, uma significativa parte dos resíduos gerados no País ainda são jogados em locais inadequados. Na maior parte das dos municípios é comum que terrenos baldios – geralmente cheios de mato – sejam usados como lixões ou local para descarregar restos de construção, móveis e eletrodomésticos usados. Se, por um lado, faz parte da responsabilidade da administração municipal de controlar a situação dos terrenos desocupados, por outro, é fato que uma parte da população – independente do nível social – ainda não se deu conta de que nossa responsabilidade quanto ao lixo vai além de jogá-lo fora onde for mais fácil. Os resultados de tal atitude são bastante conhecidos: ratos, insetos, mau-odor, cidades sujas e um meio ambiente cada vez mais degradado.

A situação não ocorre apenas nas cidades. As autoestradas também estão se transformando em grandes depósitos de lixo. Segundo dados das concessionárias que administram as rodovias paulistas, são retirados a cada mês 900 caminhões de lixo dos 4.300 quilômetros da malha rodoviária sob concessão no Estado. O volume aumenta em 20% durante a época de férias, quando as rodovias recebem um volume maior de veículos. Os dados coletados pelas concessionárias durante os últimos anos indicam que o volume de lixo nas estradas só vem aumentando. Durante o período das férias em 2009, a quantidade de resíduos jogados na rodovia Imigrantes foi de 147 toneladas, cerca de 30% a mais do que há dois anos. Em todas as rodovias paulistas sob concessão, a média mensal de lixo coletado em 2008 foi de 406,87 toneladas.

A Ecovias, concessionária que opera o sistema Anchieta - Imigrantes, informa que o perfil destes poluidores das rodovias tem mudado. Até a dois anos, 60% do lixo depositado à beira da estrada era gerado pelas comunidades próximas. Atualmente, segundo o assessor de Qualidade, Meio Ambiente e Responsabilidade Social e Empresarial da empresa, Artaet Martins, a maior parte do lixo é jogada nas rodovias por ocupantes de veículos. As consequências podem ser graves, já que os resíduos acumulados diminuem a drenagem da pista, por causa do entupimento de ralos e escoadouros da água da chuva. Outra ocorrência é que o lixo, principalmente no caso de restos de comida, acaba atraindo animais domésticos, que muitas vezes morrem atropelados, podendo causar acidentes mais graves. A Ecovias destina todo mês cerca de R$ 350 mil, só para a manutenção do sistema Anchieta - Imigrantes.

Tais fatos acabam conflitando com pesquisas realizadas no Brasil sobre o nível de conscientização ambiental da população. Regularmente somos informados sobre novos estudos, que detectam um alto nível de preocupação com o meio ambiente, uma intenção em comprar produtos ambientalmente mais corretos e de participar de iniciativas ambientais. Por outro lado, vemos que esta mesma população, quando vai viajar, acaba sujando as estradas, deixando atrás de si uma trilha de lixo.

Assim, concluo que: a) há algo de errado nestas pesquisas sobre o grau de conscientização da população; e b) o grau de educação e civismo de um povo não está em relação direta com a capacidade de consumo.    

Ricardo Rose
Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Leiter der Abteilung Umwelt und Nachhaltigkeit
Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha
Deutsch-Brasilianische Industrie- und Handelskammer
Rua Verbo Divino, 1488
04719-904 São Paulo-SP
Tel.: (+55 11) 5187 5147 | Fax: (+55 11) 5181 7013
E-mail: mambiente@ahkbrasil.com | Internet: www.ahkbrasil.com.