O Brasil está utilizando melhor a sua energia. Segundo dados oficiais, o racionamento e posterior aumento do custo da energia desde 2001, provocaram uma verdadeira revolução na indústria de eletrodomésticos. A concorrência entre os fabricantes, aliada à crescente conscientização do consumidor, fizeram com que o consumo de eletricidade nos eletrodomésticos caísse até 50% durante os últimos 15 anos. A Eletrobrás, coordenadora do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL) informa que os refrigeradores de uma porta, fabricados em 2007, são 35% mais eficientes no uso da eletricidade do que os aparelhos similares, fabricados em 1999. Nos equipamentos de ar-condicionado, o ganho chegou a 42%, entre 1999 e 2007.
O aumento desta eficiência energética na maioria dos aparelhos eletrodomésticos, deve-se a pequenas alterações na matéria prima utilizada na fabricação de certas peças. Melhorou, por exemplo, a qualidade da borracha na vedação das portas das geladeiras, o que permitiu um melhor isolamento. Os compressores passaram e ser equipados com fios de alumínio ao invés de cobre, reduzindo a perda de energia.
Todavia, na maioria dos setores da economia o tema da eficiência energética ainda é relativamente desconhecido. Apesar do aumento constante dos custos da energia, principalmente da eletricidade, ainda são grande as perdas. Especialistas no tema informam que na indústria existe ainda um potencial de redução no consumo de energia em torno de 30%. Para isso, as indústrias precisariam investir em equipamentos mais eficientes, organizar o processo produtivo e treinar a mão-de-obra.
Com a presente crise econômica o consumo de energia, na forma de gás natural, óleo combustível, eletricidade, carvão e lenha, deverá sofrer uma grande redução. Mas esta situação não deverá perdurar por muito tempo, já que assim que a economia voltar a crescer, aumentará novamente a demanda por energia. Sendo assim, deveremos estar preparados.
A questão energética é primordial para assegurar o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país. No Brasil, apesar de estarmos reduzindo o uso de energia em eletrodomésticos – fato que nos coloca entre os cinco países mais bem estruturados nesta questão – ainda serão necessários grandes esforços no setor industrial e no de transporte e distribuição de eletricidade, onde a perda de energia ainda é muito grande. Caso seguíssemos o exemplo de outros países, onde a energia é cara e vital à sobrevivência (basta pensar em um inverno rigoroso, com neve e temperaturas abaixo de zero grau durante cinco meses), nos preocuparíamos mais em atualizar os equipamentos e as unidades geradoras existentes, sem esquecer de aproveitar também as energias renováveis como o sol, o vento e pequenas quedas de água, tão abundantes e pouco aproveitadas.
O uso eficiente da energia é assunto que deverá se tornar cada vez mais importante durante os próximos anos. O aumento da disponibilidade de energia não passa só pela construção de novas usinas hidrelétricas, térmicas ou nucleares. É preciso que agências do governo identifiquem setores onde a energia é desperdiçada e implementando medidas de melhor aproveitamento.