O AQUÍFERO GUARANI

 A água em poucas décadas se tornará um recurso natural mais importante do que o petróleo. Guerras localizadas já estão sendo travadas para garantir o acesso ao precioso líquido na África Subsahariana. No entanto, o problema global da crescente escassez de água só tenderá a aumentar, devido à incorreta gestão do líquido e ao processo das mudanças climáticas.

Com relação aos recursos hídricos, o Brasil é um dos países com as maiores reservas mundiais, com 15% do total disponível. Estes, todavia, estão mal distribuídas no País, já que cerca de 70% dos nossos estoques de água superficial encontram-se na região Norte, 15% no Centro-Oeste, 12% nas regiões Sul e Sudeste e só 3% no Nordeste. Com a crescente demanda por água em todas as regiões do País, é importante que todos os governos (federal, estadual e municipal) cuidem do cumprimento da Lei 9.433 de 1997, que estabelece a Política Nacional de Recursos Hídricos, incorporando princípios, normas e padrões de gestão da água, universalmente aceitos e já praticados em outros países.

Na região Sul, Sudeste e parte da região Centro-Oeste (nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) encontra-se um dos maiores depósitos de água subterrânea do mundo, o aqüífero Guarani. O Sistema Aqüífero Guarani está distribuído por uma área total de 1.196.500 km², estendendo-se também por outros países do Mercosul, respectivamente: Argentina, com 225.500 km²; Paraguai, com 71.700 km²; Uruguai, com 58.500 km²; e no Brasil, onde ocupa uma área de 840.800 km².

A formação geológica do Sistema Aqüífero Guarani ocorreu entre 180 e 130 milhões de anos, nos períodos Triássico e Jurássico, quando a Terra era dominada pelos dinossauros e o continente sul-americano começava a se separar do continente africano, criando o que seria o oceano Atlântico. A rocha onde se encontra a reserva aqüífera é um arenito (rocha formada a partir de areia compactada), com alto índice de porosidade. A água é encontrada através de poços artesianos a uma profundidade de 200 a 800 metros, apesar de existirem alguns afloramentos quase à superfície. Várias cidades brasileiras – como Ribeirão Preto – se utilizam das reservas do aqüífero Guarani para suprirem a demanda de água de suas populações. A mais recente pesquisa estima que as reservas de água do aqüífero sejam de 46.000 km³. Uma quantidade tão grande que daria para abastecer a população da região do aqüífero por dezenas de anos.

A grande preocupação dos especialistas é quanto ao manejo correto destas reservas hídricas. A água retirada do subsolo é reposta naturalmente pela chuva. No entanto é preciso evitar que as atividades econômicas da região – gerando esgotos e resíduos, sem tratamento e correta disposição – acabem contaminando a água de recarga do aqüífero. Os países em cujos territórios se encontra o aqüífero já assinaram diversos acordos de cooperação, estabelecendo princípios de gestão compartilhada da reserva.

O aquífero Guarani poderá ser garantia de fornecimento de água para vastas regiões do Brasil nas próximas décadas. Para isso aconteça, é preciso que todos os usuários – privados e públicos – saibam gerir estes recursos com inteligência. O que nem sempre é o caso por aqui.

Ricardo Rose
Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Leiter der Abteilung Umwelt und Nachhaltigkeit
Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha
Deutsch-Brasilianische Industrie- und Handelskammer
Rua Verbo Divino, 1488
04719-904 São Paulo-SP
Tel.: (+55 11) 5187 5147 | Fax: (+55 11) 5181 7013
E-mail: mambiente@ahkbrasil.com | Internet: www.ahkbrasil.com.