Vez ou outra
volta o tema do saneamento nesta coluna. Isto porque, o assunto não
sai de pauta, já que milhares de pessoas ainda continuam adoecendo
anualmente, chegando até a morrer, devido à falta de tratamento dos
efluentes domésticos. O contato com águas contaminadas continua
provocando viroses, diarréias e mortes, principalmente entre
crianças.
Nestas últimas
semanas um fato novo chamou a atenção com relação à situação do
saneamento – tratamento de água e esgoto – no Brasil. Diferentemente
do que vinha ocorrendo até a pouco, estão aumentando os
investimentos no setor, impulsionados em parte pelo PAC, o Programa
de Aceleração do Crescimento do governo federal e pela maior
participação da iniciativa privada. Segundo o jornal “Valor” em sua
edição de 26/9/08, os investimentos em saneamento básico saltaram de
R$ 3,1 bilhões em 2005, para cerca de R$ 10 bilhões em 2007. O valor
ainda é muito abaixo do que a Organização Mundial de Saúde (OMS)
considera um volume ideal de investimentos em saneamento para um
país como o Brasil, 1% do PIB ao ano, o que representaria R$ 25
bilhões ao ano. Segundo especialistas, o setor deverá continuar a
crescer, alcançando investimentos acumulados de R$ 40 bilhões até
2010, incluindo recursos de contrapartidas oferecidas por governos
estaduais, municipais e setor privado.
A própria
iniciativa privada, que há mais de dez anos praticamente não tinha
participado de grandes projetos no setor, vê o futuro do saneamento
no Brasil com novos olhos. Ainda segundo o jornal “Valor”, em 2007
as empresas privadas assinaram 12 novos contratos de prestação de
serviços; nove na área de saneamento básico e três Parcerias
Público-Privadas (PPPs), para atender 2,1 milhões de habitantes.
Neste ano já foram assinados mais seis contratos referentes à
prestação de serviços de saneamento, que irão atender 3,9 milhões de
pessoas. Desta forma, o setor privado aumentaria sua participação no
saneamento de 6% para 9,6% em 2007.
A maior
participação das empresas privadas no setor de saneamento deve-se a
uma série de leis que deram mais segurança aos investimentos. Tudo
começou com a Lei de Concessão 8957, passando pela Lei das PPPs em
2004 e Lei dos Consórcios Públicos em 2005, até chegar à Lei de
Saneamento, em janeiro de 2007. O fortalecimento do marco legal
possibilitou que as empresas privadas respondam atualmente por 202
contratos de serviços de saneamento em 12 Estados. No total, são 49
concessões municipais, uma empresa regional, a Saneatins, atendendo
115 municípios no Estado de Tocantins, e duas concessões
microrregionais reunindo cinco municípios, no Estado do Rio de
Janeiro.
A participação
da iniciativa privada no setor de saneamento é fato positivo, pois
ajuda a expandir a rede de saneamento – principalmente a coleta e o
tratamento do esgoto – para os quais o governo ainda não dispõe de
recursos suficientes. Com isso, pela primeira vez, o percentual de
domicílios ligados à rede de esgoto ultrapassou os 50% em 2007. Isto
não quer dizer, no entanto, que todo este volume de esgoto coletado
seja efetivamente tratado. Para aumentar o volume tratado, o governo
ainda precisará de muitos anos e bilhões de reais em investimentos.
Mas, depois de tantos anos de inércia, pelo menos já vislumbramos
uma luz no final do túnel.