O abastecimento
de água potável é um dos maiores problemas nas metrópoles dos países
em desenvolvimento, como o Brasil. A alta concentração populacional,
provocada por grandes migrações do campo para a cidade aumentou a
demanda por água. Para agravar a situação, a maioria das cidades
destes países não dispõe de infra-estrutura de saneamento para
atender toda a população e a própria escassez de água no entorno das
cidades dificulta a obtenção do líquido.
São inúmeros os
exemplos de metrópoles em todo o mundo com grandes dificuldades no
sistema de abastecimento de água. A cidade de Mumbai, na Índia, com
seus 19 milhões de habitantes, é um caso extremo. Para atender as
necessidades básicas da população, o líquido só está disponível
durante algumas horas ao dia. A falta de banheiros nas residências
ainda é bastante alta – média de um banheiro para cada 100
habitantes –, embora a situação já tenha sido pior até a década de
1980. Lagos, na Nigéria, só dispõe de água tratada para 43% de sua
população de 15 milhões de pessoas. Grande parte da água consumida
na cidade é extraída de poços artesianos e vendida por ambulantes.
Outro exemplo é a Cidade do México, hoje com pouco mais de 19
milhões de habitantes. Destes, 76% precisam sobreviver com menos de
150 litros diários de água, limite recomendado pela Organização
Mundial de Saúde (OMS)
Estas cidades
enfrentarão vários problemas nos próximos anos, caso não encontrem
soluções para seu abastecimento de água. Doenças e epidemias
provocadas pela má qualidade da água poderão afetar grandes parcelas
da população destas metrópoles. Outro aspecto que as administrações
públicas não estão considerando, é a influência provocada pelas
mudanças climáticas no consumo e na disponibilidade de água nas
grandes cidades de todo o mundo.
A cidade de São
Paulo também passa por problemas, todavia ainda não tão graves
quanto os das cidades mencionadas. Segundo dados recentemente
publicados, a região metropolitana perde em vazamentos por toda a
rede de distribuição cerca de 30% dos 3,4 bilhões de litros de água
diariamente tratados. Tal volume desperdiçado – cerca de um bilhão
de litros diários – seria suficiente para abastecer um milhão de
caixas de água. Além desse desperdício e de um consumo médio diário
de 221 litros per capita, a cidade de São Paulo tem menos
disponibilidade de água do que o sertão nordestino. Por isso, a
maior parte da água que a metrópole consome é importada de
municípios vizinhos. A contradição é que com todos os problemas de
oferta de água, a região metropolitana concentra quase 50% da
população do Estado e só tem 4% da água disponível.
As grandes
regiões metropolitanas em todo o mundo debatem-se com problemas de
abastecimento de água, tratamento de esgotos, energia, transportes e
moradia. Nos países ricos, as cidades conseguiram reverter este
quadro, através de maciços investimentos ao longo dos últimos 100 ou
150 anos. Nos países em desenvolvimento e pobres estas demandas
tornaram-se mais agudas nos últimos 50 anos, quando a população dos
grandes centros urbanos passou a crescer. Todavia, a falta de
recursos financeiros e de planejamento urbano, impediu que nestas
metrópoles as dificuldades fossem solucionadas até o momento.