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Além
dos fatores naturais,
há também
queimadas provocadas
de forma criminosa
para renovar a pastagem
O
Ceará está
entre os estados
do País com
maior risco de incêndios
florestais, segundo
o Instituto Nacional
de Pesquisas Especiais
(INPE). O órgão
avalia como crítica
a situação
cearense. Apesar
disso, só
foram registrados
1.136 focos de incêndio
desde janeiro até
a presente data,
número bem
abaixo dos ocorridos
no Mato Grosso,
que teve 11.529
focos, Pará
com 6.509 e Tocantins
com 6.474 focos.
Nos
últimos três
anos o número
de incêndios
vinha diminuindo
no Brasil. Em 2007
foram 202.299; em
2008, 134.864 e
no ano passado 69.717.
Em 2010, até
aqui, foram contabilizados
41.636, mais que
o dobro dos registrados
no mesmo período
de 2009. Somente
neste mês
de agosto já
ocorreram 22.730
pontos de queimadas
registrados no Brasil.
Isso
ocorre porque o
País está
no período
de maior risco de
incêndios
- os meses de agosto
e setembro, que
concentra cerca
de 60% do total
de incêndios
ocorridos durante
o ano.
No
Ceará, segundo
a tenente Sâmila
Ribeiro, assessora
de comunicação
do Corpo de Bombeiros
Militar do Ceará,
o Sertão
Central e Centro
Sul são as
regiões que
apresentam maiores
riscos de fogo.
Só neste
mês de agosto
foram 104 pequenas
queimadas e incêndios
florestais de grandes
proporções
no Estado (até
o dia 22). "Ai
contabilizamos incêndios
em lixões
e terrenos baldios.
Nas florestas, o
capim seco e o vento
forte acabam piorando
a situação",
destaca.
Os
municípios
de Itapipoca, com
39 focos, Quixeramobim
e Canindé,
com 37 cada, Icapuí,
com 32, Boa Viagem,
com 30 e Trairi,
com 22 focos, lideram
os casos de queimadas
detectadas pelo
INPE no Ceará,
neste ano. Sâmila
observa que o combate
nas regiões
inóspitas
são feitas
´em marcha´
mesmo e com auxilio
de equipamentos.
Bomba
O
clima seco na maior
parte do Brasil
nesta época
do ano transforma
florestas em verdadeiras
´bombas-relógio´.
Na Região
Centro-Oeste a umidade
relativa do ar está
em torno de 15%
(quantidade de água
existente no ar)
comparável
a regiões
desérticas.
No Ceará
esse índice
varia de 30 a 40%
(o recomendável
pela Organização
Mundial de Saúde
são 60%).
As regiões
Centro-Oeste e Norte
do País,
no momento, são
as que se encontram
em situações
piores. Capitais
como Rio Branco
(AC), Porto Velho
(RO) e Manaus (AM)
estão sendo
invadidas pela fumaça
dos incêndios
na floresta.
Além
dos fatores naturais
há também
queimadas provocadas
de forma criminosa
para renovar a pastagem
para o gado, fazer
o manejo do recurso
natural, queima
de lixões
ou os provocados
por balões.
Essas ações
vem sendo investigadas
pelo Instituto Chico
Mendes.
O
Ibama vem cumprindo
seu papel. Nesta
semana aplicou mais
de R$ 4 milhões
em multas por queimadas
ilegais na Região
Norte, mas mesmo
assim não
tem conseguido deter
os atos criminosos.
A
partir de outubro
até janeiro,
com o início
das chuvas no Centro
e Sul do Brasil,
as queimadas migram
para o Nordeste,
que está
com o ar mais seco
e recebe maior incidência
de sol. De janeiro
a abril, as queimadas
passam a atingir
Roraima e o norte
do Amazonas.
Atualmente,
a situação
é mais preocupante
nos estados de Tocantins,
leste de Mato Grosso,
oeste da Bahia,
algumas áreas
do Piauí
e de Minas Gerais,
Rondônia e
no sul do Pará.
Cerca
de 10 mil pessoas
estão envolvidas
no trabalho de combate
ao fogo, principalmente
nas áreas
de proteção
ambiental. Sendo
3 mil dos institutos
Chico Mendes e Brasileiro
do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais
Renováveis
(Ibama) e 7 mil
bombeiros de todo
o País.
Além
de perdas materiais
há um claro
prejuízo
a saúde de
milhares de brasileiros.
Os incêndios
produzem partículas
muito pequenas,
oriundas de material
orgânico e
de vegetação.
Elas ficam suspensas
no ar e, quando
inaladas, causam
irritação
no aparelho respiratório
e problemas de saúde.
Focos
2010
MATO
GROSSO - 11.529
PARÁ - 6.509
TOCANTINS - 6.474
GOIÁS - 2.612
BAHIA - 2.555
MINAS GERAIS - 2.292
MARANHÃO
- 1.809
SÃO PAULO
- 1.459
PIAUÍ - 1.422
MATO G. DO SUL -
1.246
RONDÔNIA -
1.181
PARANÁ -
650
RORAIMA - 423
CEARÁ - 248
AMAZONAS - 242
RIO DE JANEIRO -
161
PERNAMBUCO - 130
ALAGOAS - 129
DISTRITO FEDERAL
- 126
ESPÍRITO
SANTO - 104
Fonte:
INPE
CAPACITAÇÕES
Previna faz ações
de combate em todo
o Estado
O
combate ao fogo
no Ceará
conta com a parceria
do Conselho de Políticas
e Gestão
do Meio Ambiente
(Conpam), através
do Programa Estadual
de Prevenção,
Monitoramento, Controle
de Queimadas e Combate
aos Incêndios
Florestais (Previna)
que realiza capacitações.
Até
hoje, cinco brigadas
cearenses foram
formadas, com média
de 30 soldados cada
(guardas municipais
e bombeiros). As
cidades contempladas
com o curso foram
Juazeiro do Norte,
Sobral, Tauá,
Crateús e
Acopiara. O Previna
foi criado em 2004
pelo Governo do
Estado visando uma
gestão sustentável
do meio ambiente
estadual principalmente
no que diz respeito
à sua área
agricultável
com relação
a utilização
de queimadas antes
do cultivo de terras.
A
coordenadora estadual
do Previna, Ana
Cecy Pontes diz
que esse trabalho
vem sendo realizado
através de
uma parceria com
vários órgãos
que formam o Conpam.
"Nossa
meta é atuar
na prevenção
do fogo, por isso
estaremos em setembro
capacitando técnicos
da Ematerce e da
Seagri. A Ematerce
poderá ser
uma grande aliada
no trabalho de conscientização
para evitar que
se utilize as queimadas",
diz.
´BROCA´
Queimadas causam
a desertificação
O
tradicionalismo,
a ignorância
e muitas vezes a
comodidade de agricultores
cearenses que utilizam
as queimadas como
mecanismo de preparação
da terra para um
novo plantio é
uma das causas da
desertificação
crescente no Ceará.
A constatação
é da gerente
do Núcleo
de Cadastro e Extensão
Florestal, da Superintendência
Estadual do Meio
Ambiente (Semace),
Gisa de Paula.
De
acordo com a Fundação
Cearense de Meteorologia
e Recursos Hídricos
(Funceme), cerca
de 15.130 km2 equivalentes
a 10,2% da superfície
total do Ceará
estão associados
a processos de degradação
susceptíveis
à desertificação.
Gisa
de Paula, que é
responsável
pela autorização
do uso do fogo controlado
na agricultura,
diz que há
locais onde não
são permitidas
queimadas: terrenos
pedregosos ou próximos
a área de
proteção
permanente. "Indicamos
saídas para
que os agricultores
não necessitem
utilizar o fogo,
pois apesar de ser
um método
tradicional não
é o melhor.
Na primeira vez
que é utilizado
até melhora
o solo, mas depois
o torna pobre. O
uso do manejo florestal
é a saída,
pois possibilita
que a vegetação
se regenere",
observa.
"Outros
sistemas são
a agropecuária
e da agrofloresta,
que exigem o manejo
e garantem a produtividade",
destaca Gisa, "as
pessoas mais antigas
entendem que se
não fizeram
a ´broca´
(queimada) acham
que vão perder
o ano", revela.
INTERIOR
Cultura prejudica
fiscalização
oficial
Segundo
Gisa de Paula, os
técnicos
vem tendo muita
dificuldades em
convencer os agricultores
para que mudem suas
práticas,
"É difícil
quebrar esse paradigma
e por isso a Semace
está querendo
fazer um trabalho
preventivo, quanto
a educação
e ao meio ambiente,
para eliminar a
falta de consciência
ambiental. Aqui
no Ceará
a cultura é
queimar, desmatar.
As pessoas não
entendem porque
tem que repor a
vegetação.
Isso demonstra falta
de conscientização
e de orientação
mesmo", desabafa.
A
gerente diz que,
por outro lado,
a acomodação
e a burocracia também
afastam os agricultores
da obrigatoriedade
de solicitar licença
para a utilização
de queimadas. "Ter
que vir a Fortaleza,
pagar uma taxa e
ainda esperar que
a Semace vá
ao local verificar
se a queimada pode
ser feita. Para
muitos não
vale a pena. Como
não há
fiscalização
intensa, muitos
nem se preocupam
com isso",
frisa.
Segundo
ela, esse problema
está sendo
resolvido com a
contratação
de mais fiscais
que serão
capacitados e brevemente
estarão atuando
para evitar o uso
indiscriminado de
queimadas no estado.
Gisa
assevera que a maior
parte dos incêndios
ocorridos, principalmente
nas áreas
de Caatinga no Ceará,
não são
oriundos de combustão
natural, como acontece
no Cerrado, mas
são provocados.
"Fico triste
com isso, como o
próprio cearense
coloca fogo na vegetação
de sua terra?"
indaga.
MARCELO
RAULINO
REPÓRTER
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