CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
"AVELINO PEIXE FILHO"

NOTICIAS DA SEMANA

Sábado 05/03/2010

“Onde estamos errando?

Por Ana Paula Monteiro

Sustentabilidade, responsabilidade social. Esses termos invadiram o cotidiano da sociedade. Nos jornais, revistas, televisão essas expressões são fartamente utilizadas, principalmente pelas empresas que se autodenominam sustentáveis, caracterizada pela imagem de crianças plantando árvores ou artistas vendendo essa idéia.

Mas, cadê os fatos? Porque a empresa x é sustentável? Qual a sua política de responsabilidade social no dia a dia dos funcionários, na sua cadeia produtiva e na gestão dos seus negócios.

Vivemos um momento em que a imagem de responsabilidade com o meio ambiente é representação de status, está na moda. Entretanto, muitas empresas têm utilizado a questão ambiental apenas como tipo de publicidade, conhecida como “Marketing Verde”, muitas vezes aceita sem algum tipo de questionamento. Esse tipo de indagação normalmente não é feita pela massa, pois sequer sabem o que é ser sustentável.

Nos veículos de grande circulação, raros são os momentos em que o jornalismo ambiental ganha espaço efetivo, senão por tragédias ou matérias requentadas de reciclagem ou utilização da água e luz. Não que os últimos assuntos sejam menos relevantes, mas assim como a cultura, o esporte, a saúde, a política ou o entretenimento tem espaço diário na imprensa, o meio ambiente também precisa ter. As pessoas precisam e merecem ser informadas sobre a questão ambiental como um todo, entender o contexto e suas relações com os setores já mencionados (política, cultura, esporte, saúde...), não dá mais pra tratar do tema de forma isolada, tudo está intercalado, relacionado.

A abordagem do tema ambiental dessa forma só contribui para uma sociedade alienada, que não se dá conta da emergência de iniciativas públicas, e ações políticas para repensarmos o nosso modelo de desenvolvimento atual. A participação, a cobrança da sociedade é fundamental para que esse processo aconteça. É aí que entra a função do jornalista. O papel de fiscalizar, denunciar, evidenciar o que as pessoas não conseguem enxergar.

Aproximar o cidadão das informações necessárias para que ele possa adquirir senso crítico, para que ele tenha ferramentas e condições de formar uma opinião ou ao menos ter conhecimento da existência de determinados acontecimentos. Para que nós, jornalistas, possamos cumprir com o nosso papel, cabe uma reflexão nesse momento, será que estamos demonstrando competência para perceber e compreender determinadas pautas. Afinal, jornalismo é jornalismo, seja no segmento ambiental ou em qualquer outro. O que está errado? Será que nós estamos conscientes sobre a urgência de uma ação coletiva e do quanto o nosso papel é importante para despertar o interesse das pessoas e disseminar a informação. Do contrário perde o sentido, a responsabilidade social do jornalismo vai pro brejo.