Nos
últimos
10
anos,
as
catástrofes
naturais
fizeram
mais
de
600
mil
mortos
e
afetaram
mais
de
2,4
bilhões
de
pessoas
e
muitos
animais,
sobretudo
nos
países
em
desenvolvimento.
Por
aqui
a
situação
não
tem
sido
diferente.
O
Brasil,
no
entanto,
possui
um
diferencial
que
o
qualifica
em
relação
a
outros
países:
o
espírito
de
solidariedade.
Só
para
termos
idéia
do
perfil
dos
brasileiros,
dados
apresentados
pela
CPM
-
Centro
de
Pesquisa
Motivacional
revelam,
por
exemplo,
que
54%
dos
jovens
brasileiros
querem
ser
voluntários
em
alguma
causa,
mas
não
sabem
como
começar.
Os
motivos
são
diversos.
Em
geral,
as
pessoas
querem
tornar-se
voluntários
ou
fazerem
doações
ou
contribuições
por
sentimento
de
caridade
e
amor
ao
próximo,
mas,
existem
aqueles
que
se
sentem
menos
culpados
realizando
doações,
ou
mesmo
por
obrigação
ou
pressão
de
algum
grupo.
Seja
qual
for
o
seu
motivo,
é
preciso
encarar
o
ato
de
caridade,
ou
seja,
encarar
essas
doações,
como
um
negócio
que
envolve
pesquisas
prévias,
definição
de
metas
e
acompanhamento
dos
resultados.
É
preciso
alguns
cuidados
para
que
a
doação
feita,
não
vá
parar
na
conta
de
algum
aproveitador
que
nada
tenha
a
ver
com
o
foco
principal
da
campanha
e
da
arrecadação,
afima
a
advogada,
Dra.
Josi
Lopes,
diretora
da
Setor3
Consultoria,
especializada
no
terceiro
Setor.
Fazer
caridade
não
é
simplesmente
depositar
uma
quantia
em
dinheiro
numa
conta
bancária.
Para
que
seu
ato
seja
eficaz,
é
preciso
participar
e
fiscalizar.
Enquanto
os
americanos
são
conhecidos
por
sua
tradição
em
fazer
filantropia,
os
brasileiros
ainda
estão
agindo
de
forma
descompromissada.
A
falta
de
transparência
na
administração
do
dinheiro,
a
pouca
divulgação
dos
resultados
dos
projetos
e
a
escassez
de
orientações
sobre
como
fazer
a
doação
de
forma
eficiente
atrapalham
ainda
mais
essa
situação.
A
Dra.
Josi
Lopes,
comenta:-"vemos
que
dia
após
dia,
várias
campanhas
são
promovidas
para
ajudar
pessoas
atingidas
por
desastres
naturais,
como
por
exemplo,
os
desabrigados
de
São
Luiz
do
Paraitinga,
Santa
Catarina,
ou
mesmo
aqueles
atingidos
pelas
enchentes
em
São
Paulo
e
até
para
ajudar
os
animais
abandonados.
Promovem,
também,
campanhas
para
arrecadar
doações
para
outros
Países,
como
o
Haiti
e
Chile.
Mesmo
imbuídos
pelo
sentimento
de
solidariedade
devemos
e
podemos
fazer
com
que
nossa
contribuição
chegue
ao
seu
destino
através
de
cuidados
simples.
Com
esses
cuidados
evitamos
que
criminosos
utilizem-se
da
internet
para
aplicar
golpes.
Ao
mesmo
tempo
em
que
a
internet
ajuda
a
arrecadar
doações
e
mobilizar
as
pessoas
em
prol
de
alguma
causa,
surgem
também
criminosos
que
utilizam
esses
meios
para
obter
vantagem
ilícita.
Pessoas
que
desejem
realizar
doações,
principalmente
em
dinheiro,
devem
ser
cautelosas
na
hora
de
fazer
suas
doações,
principalmente
em
se
tratando
de
emails
solicitando
ajuda
em
dinheiro
através
de
depósitos
a
serem
efetuados
nos
números
de
contas
fornecidos
nesses
emails.
Devemos
sim,
nos
preocuparmos
com
o
destino
de
nossa
doação,
pois
o
simples
fato
de
realizarmos
essa
doação
não
nos
desobriga
de
sermos
fiscais
de
qualquer
campanha
existente.
Uma
forma
de
ajudar?
Evitando
golpes
de
doações
online,
por
exemplo",
conclui.
Se
a
pessoa
não
tem
experiência
no
assunto,
deverá
aproximar-se
de
quem
já
está
habituado
a
fazer
doações,
como
amigos,
vizinhos
ou
representantes
da
comunidade,
para
aprenderem
com
essas
pessoas
a
realizarem
corretamente
as
contribuições.
Depois
de
pesquisar,
é
necessário
escolher
algumas
instituições
que
mais
se
adequam
aos
seus
critérios
e
realizar
uma
visita.
É
importante
pedir
dicas,
questionar,
discutir
vantagens
e
desvantagens,
antes
de
fazer
a
doação,
para
depois
não
se
arrepender.
A
diretora
da
Setor3
Consultoria,
alerta:
-"é
possível
utilizar
a
Internet
para
fazer
doações
às
suas
entidades
filantrópicas
preferidas,
mas,infelizmente,
existem
muitos
golpes
de
doação
na
internet".
Como
podemos,
então,
reconhecer
um
golpe
de
doação
online?
-
Ela
diz:-
"A
maioria
dos
golpes
de
doação
online
apresenta-se
na
forma
de
mensagens
de
email
fraudulentas
e
publicações
em
fóruns
online,
pedindo
doações
em
nome
de
organizações
beneficentes
legítimas
conhecidas
ou
de
vítimas
de
desastres
e
fundos
para
sobreviventes.
Esse
tipo
de
fraude,
chamado
phishing,
usa
um
tipo
de
spam
ou
janela
pop-up
que
alega
vir
de
uma
organização
legítima,
mas
é
usado
para
estorquir
dinheiro
ou
informações
pessoais
de
possíveis
doadores.Geralmente,
os
emails
de
phishing
fornecem
links
para
sites
falsificados
que
parecem
ser
oficiais.
Desta
forma
podemos
seguir
algumas
dicas
para
evitar
golpes
online
como:
-
Melhorar
a
segurança
do
computador
e
usar
tecnologias
atuais
para
ajudar
a
bloquear
spam.
-
Usar
o
Filtro
de
Phishing
da
Microsoft.
-
Ficar
atento
se
receber
um
email
não
solicitado
de
uma
organização
beneficente
pedindo
dinheiro,
seja
qual
for
à
causa.
Em
vez
de
responder
a
esse
tipo
de
solicitação,
contate
você
mesmo
organizações
beneficentes
conhecidas.
-
Se
você
receber
uma
solicitação
por
email
de
uma
organização
beneficente
que
gostaria
de
ajudar,
visite
seu
site
digitando
manualmente
o
endereço
no
navegador
da
Internet,
em
vez
de
clicar
em
um
link
na
mensagem
de
email.
Melhor
ainda
é
ligar
para
a
Entidade
para
verificar
a
veracidade
da
mensagem
e
saber
como
pode
contribuir.
-Se
você
fornecer
seu
número
de
cartão
de
crédito
e
informações
pessoais
a
um
site
relacionado
a
caridade,
certifique-se
de
que
o
site
use
certificados
de
site
legítimo
e
de
que
exista
uma
política
de
privacidade
para
informações
pessoais
-
Mantenha-se
informado
sobre
os
golpes
online
mais
recentes
por
meio
de
provedores
confiáveis
de
notícias
sobre
tecnologia
e
órgãos
governamentais,
entre
outras
fontes
profissionais.
Podemos
e
devemos
seguir
todas
essas
dicas,
e
garantir
que
nossas
doações
cheguem
ao
destino
certo.
Existem
diversas
formas
de
colaborar,
de
ser
solidário,
de
realizar
doações
e
ajudar
diretamente
uma
pessoa
ou
comunidade
atingida
por
algum
desastre,
através
de
organizações
que
se
propõem
a
estas
atividades.
O
importante
é
ser
útil
de
alguma
forma.
Ser
solidário
não
significa
apenas
doar
alguma
coisa
material,
dar
uma
esmola,
fazer
sua
contribuição
dedutível
dos
impostos
ou
participar
de
campanhas,
mas
também
acompanhar
a
sua
doação
para
que
ela
chegue
ao
local
necessário.
Não
hesite
em
doar,
faça
a
sua
parte,
mas
faça
direito,
pois
se
não
houver
essa
preocupação,
sua
doação
pode
ser
sem
utilidade.
Ser
solidário
é
realmente
se
preocupar
com
o
fim,
ou
seja,
se
a
sua
doação
chega
ao
destino,
para
finalmente,
auxiliar
de
alguma
forma
e
minimizar
os
graves
problemas
de
uma
tragédia
seja
por
chuva,
fogo,
seca
ou
acidentes",
orienta
a
Dra.Josi
Lopes.
Muitas
pessoas
experientes
preferem
estar
bem
próximas
das
entidades
que
ajudam:
a
creche
do
bairro,
a
entidade
que
abriga
deficientes
físicos
ou
a
sociedade
protetora
dos
animais
de
sua
cidade.
Nesse
caso,
há
uma
vantagem.
Poderá
verificar
no
dia-a-dia,
como
suas
contribuições
serão
aplicadas.
Outras
pessoas
acreditam
que
projetos
em
outros
estados,
como
as
famílias
atingidas
pela
seca
no
Nordeste
ou
a
destruição
da
Floresta
Amazônica,
são
mais
importantes.
Entidades
locais
ou
não,
a
escolha
é
sua.
"É
muito
eficaz
verificar
pessoalmente
(olho
no
olho)
como
funciona
a
instituição
e
qual
o
estado
de
suas
instalações",
afirma
Oded
Grajew,
presidente
do
Instituto
Ethos
e
do
Conselho
de
Administração
da
Fundação
Abrinq.
É
preciso
conseguir
descobrir
qual
é
a
essência
do
trabalho
desenvolvido.
"O
objetivo
de
uma
instituição
não
lucrativa
é
melhorar
a
qualidade
do
seu
serviço
a
cada
dia",
afirma
Allison
Fine,
diretora
executiva
da
Innovation
Network,
uma
consultoria
de
entidades
beneficentes
de
Washington,
Estados
Unidos.
Solicitar
uma
lista
das
pessoas
que
estão
na
linha
de
frente
da
entidade
faz
muita
diferença,
permitirá
identificar
melhor
as
idéias
e
valores
implantados.
Quanto
maior
o
contato
com
as
pessoas
envolvidas
no
trabalho
prestado,
menos
surpresas
desagradáveis
acontecerão.
Não
pode-se
ter
vergonha
de
pedir
informações
sobre
as
finanças
da
entidade.
Perguntar
se
as
contas
são
controladas
por
alguma
auditoria
periódica.
Pedir
para
dar
uma
olhada
nos
balanços.
Se
o
trabalho
for
sério,
a
direção
da
entidade
não
terá
problema
algum
em
apresentar
esses
dados.
Um
roteiro
de
como
serão
feitos
os
investimentos,
qual
o
retorno
que
se
espera
do
projeto,
prazos
etc,
também
poderá
ser
solicitado.
Em
alguns
casos,
quando
se
sabe
qual
será
o
projeto
beneficiado,
é
possível
organizar
um
calendário
de
doações.
Elas
podem
até
ser
realizadas
em
etapas
e
não
de
uma
só
vez.
Além
disso,
ao
ter
em
mãos
um
documento
fica
muito
mais
fácil
cobrar
depois.
Para
qualquer
doação
ser
eficaz,
você
precisa
acompanhar
os
resultados.
Agindo
desta
forma,
evitará
de
ver
seu
dinheiro
aplicado
em
projetos
ineficazes
ou
desperdiçado.
Legislação:
A
lista
de
crimes
cometidos
por
meio
eletronico
é
extensa
e
sua
prática
tem
aumentado
geométricamente
com
a
universalização
da
internet.
Um
levantamento
realizado
por
especialistas
em
Direito
da
internet
mostra
que
atualmente
existem
mais
de
17
mil
decisões
judiciais
envolvendo
problemas
virtuais;
em
2002
eram
apenas
400.
A
internet
ainda
é
tida
por
muitos
como
um
território
livre,
sem
lei
e
sem
punição.
Mas
a
realidade
não
é
bem
assim,
informa
a
advogada,
Dra.
Andreia
Damasceno,
do
escritório
Damasceno
Advogados
Associados,
relatando
que
diáriamente,
o
Poder
Judiciário
vem
coibindo
a
sensação
de
impunidade
que
reina
no
ambiente
virtual
e
combatendo
a
criminalidade
cibernética
com
a
aplicação
do
Código
Penal
e
do
Código
Civil.
"
Na
ausencia
de
uma
legislação
específica
para
crimes
eletrônicos,
os
tribunais
brasileiros
estão
enfrentando
e
punindo
internautas,
crakers
ehackers
que
utilizam
a
rede
mundial
de
computadores
como
instrumento
para
a
prática
de
crimes.
Grande
parte
dos
magistrados,
advogados
e
consultores
jurídicos
considera
que
cerca
de
95%
dos
delitos
cometidos
eletronicamente
já
estão
tipificados
no
Código
Penal
brasileiro
por
caracterizar
crimes
comuns
praticados
por
meio
da
internet.
Os
outros
5%
para
os
quais
faltaria
enquadramento
jurídico
abrangem
transgressões
que
só
existem
no
mundo
virtual,
como
a
distribuição
de
vírus
eletrônico,
cavalos-de-tróia
e
worm
(verme,
em
português)".
Ela
orienta
que
os
casos
de
furto
e
estelionato
virtual
também
já
foram
devidamente
enquadrados
pela
Corte.
A
Terceira
Seção
do
STJ
consolidou
o
entendimento
de
que
a
apropriação
de
valores
de
conta-corrente
mediante
transferência
bancária
fraudulenta
via
internet
sem
o
consentimento
do
correntista
configura
furto
qualificado
por
fraude,
pois,
nesse
caso,
a
fraude
é
utilizada
para
burlar
o
sistema
de
proteção
e
vigilância
do
banco
sobre
os
valores
mantidos
sob
sua
guarda,
por
essa
decisão
o
entendimento
relatado
pelo
ministro
Felix
Fischer,
a
Quinta
Turma
do
STJ
definiu
claramente
que,
mesmo
no
ambiente
virtual,
o
furto
"subtrair,
para
si
ou
para
outrem,
coisa
alheia
móvel"
(artigo
155
do
Código
Penal)
mediante
fraude
não
se
confunde
com
o
estelionato
(obter,
para
si
ou
para
outrem,
vantagem
ilícita,
em
prejuízo
alheio,
induzindo
ou
mantendo
alguém
em
erro,
mediante
artifício,
ardil,
ou
qualquer
outro
meio
fraudulento)-
(artigo
171
do
Código
Penal)
já
que
no
furto
a
fraude
é
utilizada
para
burlar
a
vigilância
da
vítima
e,
no
estelionato,
o
objetivo
é
obter
consentimento
da
vítima
e
iludi-la
para
que
entregue
voluntariamente
o
bem",
conclui.
A
Anatel
publicou,
no
último
dia
2/2/2010
no
Diário
Oficial
a
Resolução
538,
de
19
de
fevereiro
de
2010,
que
tem
por
objetivo
estabelecer
condições
para
prestação
de
serviços
de
telecomunicações
de
interesse
coletivo
quando
utilizados
pelos
seus
assinantes
para
manifestar
intenção
de
doação
a
instituições
de
utilidade
pública
por
meio
do
código
não
geográfico
0500.
A
norma
estabelece
que
o
valor
da
doação
correspondente
a
cada
chamada
não
deverá
ser
superior
a
R$
50.
De
acordo
com
a
Resolução,
os
valores
máximos
por
minuto
referentes
à
utilização
dos
serviços
de
telecomunicações,
líquidos
de
impostos
e
contribuições
sociais,
são
R$
0,39
(chamadas
originadas
de
terminal
fixo)
e
R$
0,71
(chamadas
originadas
de
terminal
móvel).
Pela
Resolução,
são
consideradas
instituições
de
utilidade
pública
as
Organizações
da
Sociedade
Civil
de
Interesse
Público,
nos
termos
da
Lei
9.790/99,
ou
sociedades
civis,
associações
ou
fundações,
constituídas
no
País,
declaradas
de
utilidade
pública
a
pedido
ou
de
ofício,
mediante
Decreto
do
Presidente
da
República,
nos
termos
da
Lei
91/35
e
do
Decreto
50.517/61,
ou
mediante
Decreto
de
Governador
de
Estado
ou
do
Distrito
Federal
,
conforme
legislação
estadual
ou,
ainda,
Organização
Internacional
reconhecida
pelo
direito
pátrio.
È
possível
ainda
contribuir
com
entidades
beneficentes
sem
fazer
doações
em
dinheiro.
Seja
um
voluntário.
Para
isso,
aproveite
seu
conhecimento
ou
experiência
em
determinada
atividade
e
ponha
isso
em
prática.
"O
voluntário
de
hoje
pode
ser
o
doador
de
amanhã",
afirma
Stephen
Kanitz,
organizador
do
Prêmio
Bem
Eficiente.
(*)
Vininha
F.
Carvalho
é
jornalista,
ambientalista
e
presidente
da
Fundação
Animal
Livre.
(
www.animalivre.org.br)