A ex-modelo está
sendo investigada por crime
ambiental por construir sem
licença uma quadra de
tênis em local protegido.

IRREGULAR
Acima, a quadra de
tênis da casa (no alto)
da ex-modelo (à dir.).
A delegada Juliana Amorim (à
esq.) investiga o caso: várias
tentativas de regularização
foram negadas
Quando a polícia bateu
à porta da casa da ex-modelo
Luma de Oliveira, 46 anos, no
Jardim Botânico, para
entregar uma intimação,
a empresária jogava uma
partidinha de tênis com
amigos. Ela fez os policiais
esperarem, enquanto trocava
de roupa.
Só então, a musa
de vários carnavais soube
que um dos motivos que levaram
a polícia à sua
mansão foi justamente
a quadra de tênis construída
sobre um platô no entorno
do Parque Nacional da Tijuca,
zona de preservação.
Por causa da obra, Luma está
sendo investigada por crime
ambiental. Segundo a delegada
Juliana Amorim, da Delegacia
de Proteção ao
Meio Ambiente, ela ampliou a
casa de dois andares onde mora
sem licenciamento ambiental
nem licença da prefeitura.
A delegada encaminhou o caso
para análise do Ministério
Público na quarta-feira
16. Luma terá de responder
por depredação
da natureza
A
obra em questão é
uma laje erguida na encosta
do morro sobre o Túnel
Rebouças. No puxadinho
camuflado de verde da mata,
Luma fez, além da quadra
de tênis, churrasqueira,
lavanderia e vestiário.
Para a polícia, ao construir
em local protegido sem autorização
dos órgãos competentes,
Luma infringiu o artigo 60 da
Lei dos Crimes Ambientais. Ela
não responde a inquérito
policial porque a infração
é de menor potencial
ofensivo, com pena de um a seis
meses de detenção.
A pendenga deve ir para o Juizado
de Pequenas Causas, onde normalmente
o infrator é condenado
a pagar cestas básicas
e realizar a compensação
ambiental.
No entanto, os policiais apuram
se Luma também infringiu
o artigo 63 da mesma lei, por
alterar estrutura de edificação
ou local protegido, sem autorização
das autoridades. Nesse caso,
por se tratar de crime de maior
gravidade, com pena de um a
três anos de prisão,
Luma poderá ser indiciada
em inquérito policial
e responder a processo criminal.
O irmão de Luma, entretanto,
diz que está tudo resolvido.
"Ela já conseguiu
as licenças ambientais",
garante Mem de Oliveira
Apesar
dessa declaração,
a documentação
nunca foi mostrada - nem à
polícia. Ao receber a
intimação em casa,
Luma se mostrou surpresa. Aos
agentes, teria admitido que
ainda não havia regularizado
a obra e acusou a vizinhança
de perseguição.
Na ocasião, ela se comprometeu
a comparecer à delegacia,
no bairro de São Cristóvão,
para prestar esclarecimentos.
Marcou de ir à noite,
para evitar que sua presença
causasse alvoroço. Foi
dois dias depois, na noite de
26 de junho, mas sem provas
de que a obra estaria legalizada.
Em suas declarações
na Delegacia do Meio Ambiente,
Luma jogou a culpa na arquiteta
responsável pela reforma
e alegou que não sabia
como estava o processo.
Desde o início da obra,
em 2006, Luma tenta regularizar
seu puxadinho na Secretaria
Municipal de Urbanismo, mas
seus requerimentos sempre foram
indeferidos. A última
tentativa foi em julho, depois
da visita da polícia.
Ainda não houve resposta.
"Mas, mesmo com a obra
embargada, ela continuou tocando,
ao arrepio da lei", afirmou
um investigador.
Mem diz que o platô foi
erguido num terreno de Luma,
onde antes havia uma casa abandonada.
"Está tudo legalizado",
insistiu Mem, na quarta-feira
16, sem saber que o caso está
longe de acabar. A teimosia
de Luma em continuar com a reforma
sem autorização
já lhe rendeu várias
notificações e
duas multas, uma de R$ 2.002,81
e outra de R$ 3.003,02.
Não é a primeira
vez que a ex-modelo se vê
às voltas com a Justiça.
Em 2004, ela e o então
namorado, Sigmar Freitas, se
envolveram num caso de agressão
a um fotógrafo num resort
baiano. Em 2007, Luma foi condenada
pela Justiça do Rio a
pagar R$ 2 milhões de
indenização a
pequenos empresários
que investiram na sua franquia
de cosméticos
A INFRAÇÃO
Luma
de Oliveira infringiu o artigo
60 da lei federal que trata
de crimes ambientais. Ela pune
quem constrói, reforma
ou faz funcionar estabelecimentos,
obras ou serviços potencialmente
poluidores, sem licença
ou autorização
dos órgãos ambientais
ou contrariando normas legais.
A pena é pequena: detenção
de um a seis meses, ou multa,
ou ambas as penas.