Entrevista com Ceres e Agenda 21 escolar

 

Perguntas:

Como está o andamento da implantação da Agenda 21 em nossa cidade?

R. Lamentavelmente estagnada devido a:

- falta de apoio político dos governos estadual e municipalidade;

- descontinuidade das ações do Conselho Municipal do Meio Ambiente;

- ausência de efetiva adesão de mineradoras, indústrias de papel e celulose; construção civil; concessionárias de rodovias; postos de gasolina; comercio gerador de maior quantidade de resíduos; instituições de ensino superior e cidadãos de forma geral;

- necessidade de envolvimento ativo e corretivo da Sabesp, CETESB e Ministério Público.

Quais são os segmentos interessados que já aderiram ao movimento?

R. Organizações não governamentais com finalidades de preservação e recuperação ambiental e cidadãos comuns dos setores públicos, privados ou da sociedade civil. Essas adesões parecem conseqüentes de consciência ambiental individual ou da coerência com os objetivos institucionais que os aderentes estão vinculados.

Quais benefícios uma cidade pode ter, com a implantação da Agenda 21?

Qualidade e preservação da vida das gerações atuais e futuras:

Prevenção de doenças causadas pela poluição da água, ar e atmosfera; redução de custos com saúde pública; embelezamento paisagístico; repasse de verbas do Ministério do Meio Ambiente e Organizações internacionais que apóiam a preservação da biodiversidade planetária; referencia para ecoturismo; referencia para desenvolvimento sustentável, entre outras.

Como as pessoas interessadas podem participar?

Primeiramente desenvolvendo consciência pessoal de redução de consumo, reutilização de materiais aproveitáveis e apoio as cooperativas de reciclagem. A partir de esse primeiro passo contribuir para influenciar o maior número possível de pessoas de seu convívio e relacionamento cotidiano para que desenvolvam atitudes ecologicamente corretas. Também é desejável o engajamento e apoio a uma Organização sem fins lucrativos para atuação na causa tais como: conselhos municipais de meio ambiente e ONGs idôneas com finalidades de recuperação ou preservação ambiental.

Qual sua opinião sobre a Agenda 21 Escolar?

R. Imprescindível para formação de consciência e ações de recuperação e preservação ambiental que a partir dos alunos ressoam por toda família e comunidade locais.

Segue texto informativo cujo conteúdo apoio e acredito que poderá ser incluído em pesquisa visando a multiplicação de conhecimentos necessários a implantação da AG 21 escolar.

Agenda 21 Escolar - Implantação

1. Esclarecimentos preliminares


1.1. O que é a Agenda 21?

A Agenda 21 é um documento gerado a partir da Rio Eco-92 para implantação global, prevendo, em mais de 40 tópicos, as possibilidades de desenvolvimento sustentável para o planeta, onde se possa gerar desenvolvimento sem prejuízos à qualidade de vida do ser humano e às condições ambientais. Pode-se resumir essa filosofia no encaminhamento das condições de vida do planeta para um ambiente justo e saudável, com o equilíbrio perfeito entre o ser humano, a natureza e a economia, sem prejudicar o desenvolvimento e a qualidade de vida, e sem degradar o ambiente planetário.Esse mesmo documento prevê a implantação da Agenda 21 nacional, que deverá ser implementada, em cada país, observando-se suas características peculiares e, ainda, a Agenda 21 local que, em tese, deve ser implementada em cada cidade ou localidade onde exista um núcleo humano com necessidades de crescimento e de sustentabilidade ambiental e econômica, sem prejuízo da qualidade de vida e da degradação dos ecossistemas.

1.2. Porque Agenda 21 Escolar?

A escola é uma comunidade que tem influência efetiva não apenas dentro de seus muros, nos momentos de instrução a seus alunos, mas também em toda a comunidade formada pelos respectivos familiares e moradores de seu entorno. A escola, em suas novas atribuições, estabelecidas passo a passo por técnicos do ensino, pode ser considerada o cérebro que comanda um corpo maior, constituído pelos lares dos alunos e pela comunidade em que está inserida, extrapolando em muito as estreitas divisas de seus muros e afetando diretamente a vida de um volume de pessoas extremamente maior do que o mero número de estudantes que a freqüenta, sendo, por isso, também responsável pela avaliação crítica e física dos problemas sociais, pessoais e ambientais dos ramos dela derivados, e pela busca de auxílio em sua solução.

A escola é a base de formação do cidadão.

A escola é a responsável pela educação que influenciará na vida profissional, social e pessoal do aluno e em sua convivência familiar. A escola influencia e é influenciada pelos movimentos que agitam o seu entorno, como festividades, violência familiar e social, decisões da coletividade, desenvolvimento agrário, industrial e comercial, etc. Além disso, em muitas comunidades, a escola é o órgão ao qual os cidadãos recorrem, como se fosse um organismo de ajuda, apoio e resolução de problemas familiares ou sociais.

Desnecessário, por óbvios, destacar outros pontos de importância da escola na comunidade.
Portanto, nada mais útil e proveitoso do que se começar um processo de elaboração de Agenda 21 dentro do âmbito de atuação direta e indireta da escola.

2. Agenda 21 Escolar

2.1. O que é a Agenda 21 Escolar?

A Agenda 21 escolar é a formatação do texto base da Agenda 21 local para aplicação no meio de influência da escola, tanto nos recintos escolares, como no meio familiar e social onde tal influência é exercida. Visa, da mesma forma que as demais agendas, a sustentabilidade social e econômica, atendendo às necessidades humanas para uma vida digna e a proteção do meio ambiente, tanto o ambiente utilizado pelos cidadãos, como formados pelos ecossistemas da região.

2.2. Requisitos Básicos da Elaboração da Agenda 21 Escolar

A adoção de uma metodologia de trabalho que deverá ser buscada por consenso entre representantes do estabelecimento escolar, dos alunos, da coletividade em sua área de influência, do poder público e de organismos não governamentais, voluntários, técnicos, líderes comunitários e religiosos, em reuniões previamente designadas para tanto;

A realização de pesquisas para apuração dos problemas existentes na área de atuação da agenda, englobados os problemas de saúde da população local, de degradação do meio ambiente ou riscos ambientais, de segurança, problemas sociais diversos como desemprego, alcoolismo, uso de drogas, etc.;

Avaliação técnica, por pessoal habilitado, e consenso popular, através de reuniões, das soluções para estancar, reverter ou pelo menos amenizar os problemas, buscando os meios de sustentabilidade econômica da população, a melhora de sua qualidade de vida e a melhoria ambiental, com preservação de áreas, criação de novas áreas, saneamento, melhoria dos elementos já implantados, e, essencialmente, educação de cunho social e ambiental;

Apuradas as ações necessárias, verificar os respectivos custos e os meios de financiamento;

Envolver o poder público, através das negociações necessárias, para que solucione ou busque soluções para os problemas que são de sua exclusiva atribuição, e para que colabore na solução de outros, que estejam dentro de suas possibilidades governamentais

Mobilizar os setores da sociedade que de alguma forma possam auxiliar na concretização dos projetos relativos à solução dos problemas apurados;

Dar andamento às ações de correção, reversão e erradicação de tais problemas.

2.3. Elaboração prática da Agenda 21 Escolar

1.º passo: Realização de fórum, convocado de maneira oficial, para início dos trabalhos de implementação da Agenda 21 do estabelecimento educacional em que for implantada. Nesse fórum deverão ser escolhidos os participantes da respectiva comissão, que será presidida por um Coordenador Técnico, com o resumo dos trabalhos anotados por um relator. A comissão deverá contar, na medida do possível, com elementos da escola - tanto do corpo discente como do corpo docente -, da comunidade, do poder público, das lideranças locais, entidades não governamentais, etc.

2.º passo: buscar a participação popular para o fórum e as reuniões periódicas da agenda, para o auxílio na detecção de problemas e em sua erradicação ou minimização. Buscar o auxílio dos órgãos da imprensa, para apoio educacional e jornalístico e de órgãos do poder público ligados aos problemas apontados;

3.º passo: promover ações dentro da escola, com os alunos, na pesquisa das situações prejudiciais ou degradantes e na elaboração de concursos, como redação e poesia sobre temas correlatos, como, p.e., "como gostaria de ver minha escola e meu bairro daqui a 10 anos"; gincanas educativas e construtivas, jogos cooperativos, atividades que possam despertar o sentimento de amor pela comunidade e de patriotismo, como ações voluntárias de ajuda a doentes, deficientes, desempregados, etc;

4.º passo: trabalhar com ações práticas e economicamente viáveis, dentro de um processo de educação ambiental entrelaçado com criação de hortas comunitárias, ou hortas individuais, coleta seletiva de lixo e comercialização do lixo reciclável, cursos sobre compostagem dos resíduos orgânicos e sua aplicação nas hortas, comunitárias ou individuais, saneamento e tratamento de resíduos nas áreas rurais, etc;

5.º passo: identificar os temas que serão incluídos no documento inicial a ser elaborado pela comissão escolhida e que se chamará "Agenda 21 Escolar da Escola .....", devendo esses temas ser identificados pela comissão e pela comunidade participante do fórum. Os temas não deverão ultrapassar a dez ou doze, para que não se impossibilite a realização de tarefas em todas as frentes. É conveniente que sejam escolhidos especialistas ou professores das respectivas áreas para que, de início, façam um relatório da situação atual da comunidade a ser trabalhada, ou seja, o cenário inicial dos trabalhos, assim como um cenário do passado e uma projeção de um cenário ideal em um determinado prazo - 10 anos, por exemplo, dando publicidade desse levantamento

6.º passo: elaboração de projetos e/ou planos estratégicos, ou seja, a discriminação, passo a passo, das atividades necessárias à realização dos objetivos previstos em cada um dos temas selecionados para a agenda, com cálculo de custos, de recursos materiais e humanos;

7.º passo: finalmente, a implementação prática, etapa por etapa, daquelas previstas nos projetos e/ou planos estratégicos, angariando os recursos necessários dentro do plano de ação e atendendo às necessidades da etapa em andamento.

2.4. Acompanhamento dos trabalhos

  I - Reuniões dos Coordenadores das Agendas 21 Escolares implantadas, periodicamente, sugerindo-se que isso ocorra de três em três meses, para troca de informações e experiências, que serão levadas aos respectivos fóruns permanentes;

II - Realização periódica de Seminários e Cursos de Atualização e Capacitação para os participantes efetivos dos fóruns permanentes de debates, e demais interessados, buscando envolver o pessoal dos órgãos governamentais, como o Ministério do Meio Ambiente, Ministério das Cidades, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Secretarias Municipais de Educação, Planejamento, Saúde, Social, órgãos de Infância e Adolescência, etc.

2.5. Lembrar-se de que:

  * a agenda deverá ter sempre em mira a sustentabilidade econômica da comunidade, a preservação e implementação de áreas de preservação e os respectivos cuidados, o cunho permanente de educação individual, familiar, social e ambiental, interligados dentro das ações previstas na agenda; o trabalho cooperativo, a criação de núcleos de apoio social, o fortalecimento das instituições oficiais e de liderança da comunidade;

* a agenda 21 nunca termina. Ela é sempre reconstituída, reconstruída, repassada, corrigida dentro dos fóruns de discussão e de acordo com a avaliação dos rumos dos trabalhos, as fontes de financiamento, as parcerias, novos problemas que possam surgir, novas soluções encontradas, etc;

* os fóruns de discussão são permanentes, devendo a periodicidade ser decidida pela respectiva comissão, e nele deverão ser sempre revistos e repassados os trabalhos do período. Além disso, deverão estar sempre abertos à participação de todos os membros da comunidade, do poder público, da imprensa, de entidades de apoio, de patrocinadores, enfim, do todo a que pretende servir e de quem recebe apoio humano, material ou financeiro;

* a agenda poderá ter início com ações de menor impacto, dependendo de suas possibilidades, e enriquecida posteriormente pela experiência dos participantes, do aumento do grupo, de maiores patrocínios, de maior apoio dos órgãos de política pública, etc.

O sucesso da implantação da agenda 21 escolar em cada município depende apenas do empenho com que as pessoas que a apoiarem,no âmbito de influência de cada escola, se disponham a aplicar em benefício da comunidade escolar e da comunidade influenciada, doando-se em puro ato de amor aos alunos, familiares e coletividade, e ao povo, à nação, ao país e, por extensão a todo planeta terra - nosso lar comum na imensidão infinita do cosmos. As mãos que se puserem á obra plantarão milhares de sementes para reflorestar a vida.

Associação Ecológica Vertente

texto: Francisco Antonio Romanelli

CERES MARIA CAMPOLIM DE ALMEIDA
Psicóloga Organizacional especializada em Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNIP-SP - 1978).
Formação em Psicodiagnóstico (Sedes Sapientae – SP - 1980).
Formação em Psicodrama Terapêutico e Sócio Educacional (SOPSP – 1986).
Pós - graduada (MBA) em Gestão Estratégica do Terceiro Setor (FMU – SP - 2003).
Professora e Terapeuta de alunos (Federação Brasileira de Psicodrama - 2004).
Formação Holística - Cosmodrama: Pierre Weil (UNIPAZ – DF - 2005).
Facilitadora do Seminário A Arte de Viver em Paz (UNIPAZ – DF - 2006).
Supervisora em Psicodrama (Sociedade de Psicodrama de S. Paulo – 2009).
Participação e apresentação de trabalhos fundamentados no método socionomico em Congressos nacionais e internacionais.
Participante de projetos de responsabilidade social e desenvolvimento de liderança em organizações (especialmente aquelas sem fins lucrativos), voltadas para educação, recuperação e preservação ambiental.
Diretora de Psicodrama Público com o tema: “Despertando a consciência das três ecologias”. (Centro Cultural São Paulo – SP – 2008; Praça Santo Domingo – Quito Equador – 2009).
Voluntária em ações da sociedade civil para implementação da Agenda 21 Local na Região SUDOESTE PAULISTA e nos Projetos Sala Verde do Município de Itapeva (2007-2009).
Apoiadora doa atos das organizações SOS Mata Atlântica e Greenpeace (São Paulo- SP).
Responsável pelo plantio de milhares de árvores em área privada no município de Itapeva.
Ativista ambiental há 34 anos. Participante de prevenção ou denuncia sobre crimes ambientais junto a órgãos públicos (UMAPAZ – SMVMA – São Paulo – SP).
Autora da pesquisa – Eco – Psicodrama como método de ação: ampliando a consciência das ecologias pessoal, social e planetária (2008 -2009).
ceresrh@uol.com.br // celular: +55 (011) 9288-40 83 .
PS: Pratica consumo responsável, separação seletiva e destinação para reciclagem do lixo domestico há 22 anos.