As coisas
vão acontecendo no mundo... se repetindo
na verdade, apenas de formas diferentes
e a gente permanece olhando para elas sem
realmente enxergar o que está acontecendo.
São enchentes, terremotos,
vendavais, tsunamis como manifestações
inequívocas da natureza de que algo
está acontecendo numa escala mais
acelerada e ampla. Argumentam alguns, menos
atentos e mais acomodados, que isso sempre
foi assim; e nem eles acreditam no que falam
porque os fatos, afinal, estão aí!
Na vida política, econômica
e social, são escândalos, denúncias,
operações bancárias,
policiais, civis nas quais só mudam
os nomes dos envolvidos e o conteúdo
das ações – de resto
continua tudo igual – há um
padrão de comportamento em todas
elas que se perpetua, e por insistir no
erro, vai decaindo.
Na vida cultural, impera
a mesmice e o a repetição
do que já passou – relembra-se
indefinidamente o que foi bom (mas já
não é, porque o momento e
o contexto são outros) e talvez seja
a área que nos confronta mais de
perto e de forma inequívoca com nossa
própria mediocridade e estagnação.
Na vida pessoal, mudam as
situações, endereços
e personagens, mas as pessoas são
as mesmas no frenesi e descuido com que
se tratam – o que fazem com seu tempo,
o que fazem no trânsito, o que fazem
com sua saúde, o que fazem na sua
relação com os outros, consigo
mesmas e com o ambiente do qual são
parte interdependente. Nada muda, apenas
os cenários e personagens –
os manés são os mesmos.
E todos nós nos iludimos
com os artifícios da tecnologia que
gera, por um lado facilidades e perspectivas
incríveis de desenvolvimento, e por
outro, uma dependência e inércia
de quem a utiliza cegamente, o que redunda
num controle perigoso e autoritário
sobre a nossa vida. E a gente aceita e consome
cada vez mais máquinas de última
geração sem perceber o quanto
estamos submetidos e dependentes delas.
Nisso tudo que foi dito,
também nenhuma novidade porque há
na filosofia, nas ciências, na literatura
, nas artes e nas tradições
muita gente ilustre e obras imortalizadas
que alertaram sobre isso. E foi só
por isso que as coisas não estão
piores do que são. A função
de uma minoria consciente é evitar
que tudo se desintegre de uma forma mais
rápida – é injetar homeopaticamente
doses de consciência no comportamento
dos que apenas repetem e nada criam.
A grande sacada será
quando cada um de nós despertar da
ilusão que recriamos diuturnamente
com o mesmo agir - pensar já ajuda,
falar não adianta! - e fizer tudo
diferente do que faz porque aprendeu (pelo
amor ou pela dor) que assim como está
fazendo está contribuindo para que
as coisas aconteçam no desvio da
realidade humana, em queda livre.
Com nosso ser sempre igual,
alimentamos recursivamente a vida com aquilo
que nos destroí. E indefinidamente,
reclamamos, sem mexer uma palha no sono
profundo que nos embala.
Malandro é malandro
e mané é mané! Podes
crer que é!
Teresa Cristina
F. Bongiovanni: Formação em
Biblioteconomia e Pedagogia. Coordenadora
e mediadora em projetos culturais nas áreas
de formação, leitura, literatura
e teatro e projetos de educação
à distância. E-mail: tcristinaf@terra.com.br