Desde 2005 algumas pessoas da cidade (umas nascidas, outras incorporadas) iniciaram uma prática social de trabalhar em grupo e com grupos que viria a transformar-se num movimento sóciocultural espontâneo e natural , sem nenhuma conotação religiosa, política-partidária ou filantrópica; apenas o desejo de partilhar com os outros o que se sabe e assim aprender mais. Uma espécie assim de amor e valor pelo conhecimento e pelo poder transformador que ele promove. Uma ação de exercício de fraternidade e de desenvolvimento do potencial criativo humano.
Começamos, Luzia Proença, Silvana Campos, Viviane Carneiro e eu (Grupo SERMOS) com a formação da Oficina da Mulher, trabalho voluntário e gratuito que na época teve o apoio cultural de Setembrina L. Oliveira, então secretária da Cultura. Os encontros semanais aconteceram na Casa da Cultura Cícero Marques e reuniram 30 mulheres na primeira turma e 25 na segunda turma.
Paralelamente, Luzia já desenvolvia um projeto com a terceira idade chamado BellaIdade que contava igualmente com a boa-vontade de um grupo de monitores voluntários e o apoio da mesma secretaria; esse projeto se auto-sustentou por três anos. Atualmente está emergindo sob outra forma, buscando apoio da comunidade e do setor privado para avançar, uma vez que até agora não tem sido possível a conexão com o setor público.
Enquanto isso, desenvolveu-se na casa das pessoas, alguns grupos de estudos que variavam de temas e pessoas . Tivemos um primeiro encontro que estudou o referencial cognitivo psicopedagógico de origem francesa chamado A Arvore do Saber Aprender e que contou com a participação assídua e atenta de cinco pessoas. O conhecimento tem disso: vai nos seduzindo e envolvendo em suave jugo. Aprendemos inclusive a fidelidade ao ato de aprender. Ano seguinte, veio o estudo do trajeto antropológico proposto no livro “Mulheres que correm com os lobos” e o grupo cresceu para dez participantes
Pessoas entram, permanecem, saem, retornam. O relevante é que essa experiência de conhecimento e formação grupal desperta nos participantes novas idéias e iniciativas que estimulam seu próprio agir pessoal/profissional. Muitos deles criam novas frentes de atuação e trabalho – seja profissional ou voluntariamente - independentes dos grupos e se tornam eles mesmos, geradores de novos grupos. Nessa esteira, veio a oficina do Ser, que realizamos em 2007, entre outros trabalhos. Ano passado, reunimos todas essas experiências e decidimos formalizar essa importante bagagem cultural e existencial com o nome de Comunidade de Estudos de Itapeva, para que ela seja registrada e partilhada, além de difundida. Há um compromisso dos participantes com uma postura ética que privilegia igualmente todos os níveis existenciais do ser humano: físico, emocional-psíquico, mental e cognitivo, simbólico e anímico-espiritual, bem como exercita os diferentes tipos de saberes: formal, experencial e sensível. Esse trabalho orienta-se pela abordagem transdisciplinar, transcultural e transreligiosa. O prefixo trans quer dizer “aquilo que está entre, através e além.” O que transita entre as diferentes formas de conhecimento e que ampliam e integram esse conhecimento. Metodologicamente esses grupos de encontro, estudo e convivência são práticas sociais e educativas inovadoras que buscam orientar-se pelos 4 pilares da aprendizagem definidos pela UNESCO como o desafio da educação para o milênio: aprender a aprender, aprender a conhecer/fazer, aprender a ser e aprender a conviver. Também incluem diferentes suportes teóricos e conteúdos disciplinares que o grupo vai trazendo e experimentando, buscando desenvolver seu processo de Autoformação, onde as pessoas se conscientizam que podem aprender consigo mesmas, com os outros e com os fatos do entorno. Toda essa abordagem reflete os rumos que o trajeto humano vai assumindo no milênio e que já é conhecido nos meios de pesquisa acadêmica e científica como Antropoformação (formação do ser).
As pessoas retornam, se renovam, buscam novas formas de compreender a vida e novas atitudes para vive-la. Cada um que participa o faz porque assim o deseja e o resultado da aprendizagem sempre é uma somatória da contribuição de todos, por isso mesmo melhora na medida em que cada pessoa se compromete consigo mesma e com o propósito do tema estudado. Em 2009, iniciamos nosso IV Encontro em parceria com o Espaço Zen com o tema “O despertar pelo Silêncio”, sob a coordenação do psicólogo Carlos Guimarães - grupo que começa com quase 30 pessoas e tem um cronograma quinzenal previsto de 12 encontros.
A Comunidade de Estudos de Itapeva é uma iniciativa autônoma, sem constituição jurídica, de pessoas que acreditam que é possível e necessário construir um espaço de conhecimento em Itapeva que se conecte com os pressupostos do tempo de agora - um novo milênio, com novas descobertas, visões de mundo e lógicas operacionais - , acessando as conquistas humanas em diversos campos do conhecimento que dão conta da transformação do homem diante dos desafios atuais. Até agora este trabalho tem sido itinerante, ocupando espaços físicos e oportunidades que surgem; tem o sonho de um dia construir seu próprio espaço e dispor de recursos que possam suportar a geração de novos projetos.
Se você se interessa por essa proposta
de ser/fazer/participar ou deseja disponibilizar
seu espaço para esse tipo de projeto,
entre em contato conosco para participar
dos próximos grupos.
Teresa Cristina
F. Bongiovanni: Formação em
Biblioteconomia e Pedagogia. Coordenadora
e mediadora em projetos culturais nas áreas
de formação, leitura, literatura
e teatro e projetos de educação
à distância. E-mail: tcristinaf@terra.com.br