CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
"FUNDAÇÃO PLANETA TERRA "

"A edição 2009 do Fórum Social Mundial realizada em Belem - PA, de 27/01 a 01/02, reuniu cerca de  100 mil pessoas vindas de todas as partes do mundo. Com o tema Um Outro Mundo é Possível, foram abordadas questões como: Mudanças Climáticas, Soberania Popular e Integração Regional, Identidades Culturais, Biodiversidade, Modelos Energéticos, Midias Livres, Crise Financeira Mundial, etc. das quais dependem a sustentabilidade do planeta que vc habita. Você sabia?

[Somos parte da Terra e ela é parte de nós]

 

Projeto Karinanga
 

Kaká Werá Jecupé. A terra dos mil povos. Ed. Fudação Peirópolis.

“Os olhos e as mentes intelectuais da humanidade começaram no século XX  a reconhecer os povos nativos como culturas diferentes das civilizações oficiais e vislumbraram contribuições sociais e ambientais  deixadas pelos guerreiros que tiveram o sonho como professores.

Mas a maior contribuição que os povos da floresta podem deixar ao homem branco é a prática de ser uno com a natureza interna de si. A Tradição do Sol, da Lua e a da Grande Mãe  ensinam que tudo se desdobra de uma fonte única. , formando uma trama sagrada de relações e inter-relações, de modo que tudo se conecta a tudo. O pulsar de uma estrela na noite  é o mesmo do coração.  Homens, árvores, serras, rios e mares são um só corpo, como ações interdependentes. Esse conceito só pode ser compreendido através do coração, ou seja, da natureza interna de cada um.  Quando o humano das cidades petrificadas largarem as armas do intelecto, essa contribuição será compreendida.  Nesse momento entraremos no Ciclo  da Unicidade, a Terra sem Males se manifestará no reino humano. “ p.61

Os sinais do Espírito

A arte de ler os sinais através do movimento dos pássaros,

dos ventos, dos rios, e do fogo é para o povo indígena

a maneira pela qual a Mãe Terra conversa com o ser humano.

1. Cada  desenho que um pássaro faz no céu em seu vôo é uma tarefa que realiza de comum acordo com a Mãe Terra.. Nenhum vôo é gratuito; nenhum pouso é vão. Além dos pássaros que vemos há os Pássaros raios e os Pássaros trovões. Estes são Grandes Espíritos.  O falcão, o gavião-real, a águia e a pomba,  sendo pássaros superiores, todos os invernos vão à morada dos Pássaros Trovões, e quando chega a primavera dançam pelo céu a força e o poder do Trovão, inspirando a Criação.

 

2. Quando um destes pássaros surge à vista de uma pessoa, ela está sendo solicitada a agir com o poder do coração, morada do espírito em cada ser.  Se aparecer em sonho, o próprio espírito está falando: eu sou sua força.

 

3.O beija-flor visita moradas  de espíritos relâmpagos.  Quando é visto, inspira boas idéias e diz que é hora de semeá-las. O beija-flor foi a primeira forma que Namandu, o Grande Mistério, assumiu para revelar-se.

 

4. A segunda forma que Namandu assumiu, para refletir sobre a criação dos Pássaros Trovões, foi a da coruja, que durante o Nada da Noite, empoleirou-se sobre si mesma e criou a sabedoria.

 

5. Quando as asas bateram, os ventos passaram a existir como mensageiros:

Quando sopram do sul : uma aventura inesperada, um rumo não previsto na caminhada;

Quando sopram do oeste: o que tem que morrer morrerá;

Quando sopram do norte: a clareza da jornada com proteção dos ancestrais

Quando sopram do leste: a fortuna, o início

 

6. Todo rio traz mensagem de prosperidade; toda cachoeira traz abundância, renovação permanente, desde que  o espírito siga o rio, em seu exemplo e em sua mensagem de fonte irradiante.

 

7. O pássaro kuchio é bem aventurado. Seu canto, no entanto, é um lamento. Sabendo que a Terra ia ser inundada, lamentou-se em um canto, e por compaixão Nosso Pai não deixou o céu desabar.

 

8. Quando a Terra e as leis da natureza cósmica e terrena foram criadas, os anciães da sabedoria fizeram uma roda e as narraram diante de uma fogueira, de modo que todo fogo gravou na memória todas as leis e o calor da sabedoria dos anciães. Por isso, quando uma fogueira se acender e um círculo de pessoas se unir em torno do fogo, as leis serão aquecidas novamente no coração humano.” p.98