Projeto
elaborado pela Fundação
Planeta Terra em parceria com a Prefeitura
Municipal de Itapeva/SP, através
da sua Secretaria de Municipal de
Recursos Hídricos e Meio Ambiente.
Itapeva é hoje, uma das maiores
concentrações urbanas
da Região Sudoeste do Estado
de São Paulo, com seus 89.743
hab., Estimativa Populacional IBGE-2006,
distribuídos numa área
de 1.882 Km², fazendo divisa
com os seguintes municípios:
Itaí, Paranapanema, Capão
Bonito, Guapiara, Ribeirão
Branco, Buri, Taquarivaí, Nova
Campina, Itararé e Itaberá.
O
crescimento vertiginoso e descontrolado
da nossa cidade caracterizou-se, sobretudo
pela ocupação excessiva
e caótica de construções
numa avalanche imediatista, sem que
normas municipais ou projetos de intervenção
urbana conseguissem implantar um desenho
para a cidade.
A
isso devemos acrescentar que as cidades,
tendo sua história, devem possuir
marcos que assinalem significativamente
suas etapas histórico-culturais
e ambientais.
As
áreas verdes urbanas independentemente
do porte da vegetação
assumem funções diversas
e em diferenciados graus de importância
no meio urbano, podendo interferir
direta ou indiretamente em muitas
das suas características básicas.
Exercem papel de vital importância
para a qualidade de vida nos centros
urbanos por suas múltiplas
funções, atuando diretamente
sobre o clima, a qualidade do ar,
o nível de ruídos, além
de constituir refúgio à
fauna remanescente nas cidades. O
parque urbano é uma categoria
de área verde caracterizada
como um espaço público
com dimensões significativas
com predominância de elementos
naturais, principalmente cobertura
vegetal, que contempla além
da função recreativa
as funções ecológicas,
estética e de educação.
É
dentro dessa perspectiva que propusemos
o projeto do Centro de Educação
Ambiental Avelino Peixe Filho, como
subsídio a elaboração
de seu plano de manejo, na perspectiva
de assegurar sua continuidade no ambiente
urbano.
O Centro de Educação
Ambiental Avelino Peixe Filho possui
uma área de 38000m² e
está situado no centro da cidade
de Itapeva, entre Centro (Avenida
20 de setembro), jardim America (Avenida
Orestes Gonzaga) e o Jardim Ferrai
III (Rua Flávia). Com vegetação
constituída pela Mata Atlântica,
com algumas espécies exóticas,
torna-se um local em potencial para
o desenvolvimento de um Programa de
Interpretação Ambiental
como uma forma de lazer aliado à
educação. Representa
área de qualidade paisagística
por ser um elemento de valor estético
e cultural, incorporado ao patrimônio
da cidade, e de qualidade ambiental,
por ser um fator determinante de conforto
ao atuar como ilha de frescor nas
imediações do bairro-centro
e, por apresentar potencial para alternativas
mais democráticas de lazer.
Propusemos
a demarcação em toda
sua extensão, para que pudéssemos
cercar toda a área. Assim,
ao que seria um espaço de pequeno
porte retificado, conseguiremos dar
novas proporções, fazendo
com que a área tenha uma integração
mais adequada com o bosque, enriquecendo
enormemente o Parque, tanto paisagisticamente,
como pelo seu uso recreativo.
Com
essas condições, teremos
retomado a Mata do Carmo, hoje transformada
num grande deposito de lixo, abrigo
de marginais. Com o projeto, apropriamos
devidamente a natureza, trazendo a
Mata do Carmo ao convívio urbano
e marcando culturalmente a presença
do homem: é o parque Ecológico,
que propomos contemporâneo e
atuante.
Ao
caracterizarmos o Centro de Educação
Ambiental Avelino Peixe Filho como
urbano, é porque consideramos
imprescindível seu uso pela
população.
Nos
estudos mais recentes que elaboramos,
cerca de 400 pessoas deverá
freqüentar o Centro de Educação
Ambiental Avelino Peixe Filho em fins-de-semana
e nos dias de semana 200 pessoas/dia.
Na
nossa proposta, preocupando-nos em
desenvolver a educação
ambiental e não estimular o
lazer consumo propôs dois tipos
de equipamentos.
O
primeiro é voltado à
população estudantil
(Educação Ambiental),
portanto mais diretamente beneficiada:
1. Sala Verde;
2. Esculturas ambientais;
3. Viveiros de mudas;
4. Museu do parque;
5. Maquete da micro bacia;
6. Trilha interpretativa;
7. Alojamento; e
8. Centro ecológico.
O
segundo tipo procurará atender
ao interesse da população
de toda a cidade:
1. Anfiteatro,
2. Pistas de caminhadas,
3. Áreas para meditação
e física,
4. Viveiros de plantas medicinais,
5. Oficina e centro de artesanatos,
6. Lanchonete;
7. Sede da ONG; e
8. Lagos.
Idéias
básicas
A execução do projeto
será feita por módulos
com a execução das seguintes
obras: Sala Verde; Quiosque de artesanato,
Quiosque de lanches; Portal e Praça
de entrada; Esculturas; Trilhas, Viveiros;
Anfiteatro; Casa do caseiro; Alojamento
para estagiários; Lagos, Pontes,
Bosques, e finalmente a Sede da ONG.
Alguns
equipamentos: de atividade local
No programa do Centro de Educação
Ambiental Avelino Peixe Filho, propusemos
o desenvolvimento do lazer, norteados
por suas diretrizes básicas:
o lazer como prática, onde
se estimula o desenvolvimento da capacidade
criadora e o lazer espetáculo,
através do qual a população
possa conhecer novos valores, incorporar
novos significados.
Alem
dos equipamentos de atividades locais,
em vista da importância física
do Parque, formulamos vários
equipamentos de interesse ambiental.
São eles, com a localização
respectiva:
Sala
Verde: Uma construção
de 180m², toda construída
em madeira de reflorestamento tratada,
telha de barro, vidro e alicerce de
pedra, com um hall de entrada, sanitários
e uma enorme varanda.
O Projeto Sala Verde oferecerá
meios para que os membros da comunidade
desenvolvam suas potencialidades e
adotem posturas pessoais e comportamentos
sociais que lhes permitam viver numa
relação construtiva
consigo mesmo e com seu meio, colaborando
para que a sociedade seja ambientalmente
sustentável e socialmente justa.
Sala Verde, uma das propostas principais
quando da concepção
do parque, permite a escolas da rede
pública e particular, faculdades
e interessados agendar visitas para
aprender um pouco mais sobre o meio
ambiente, de modo geral, e, especificamente,
sobre a história ambiental
da região. Os grupos têm
acesso a uma série de atividades
ambientais e culturais, com vídeos,
material institucional e debates.
Biblioteca:
Sala de Leitura e pesquisa para trabalhos
escolares; Promoção
de gincanas ambientalistas; Fóruns;
Palestras para escolas visitantes
com temas ambientais: lixo, poluição,
aquecimento global, desmatamentos,
queimadas... Capacitações
para professores e alunos enfatizando
a conservação da diversidade
ambiental local e o uso do lúdico
para a alfabetização
ambiental. Execução
de projetos interdisciplinares visando
soluções dos problemas
ambientais locais; Atividades com
a comunidade escolar: campanhas de
conscientização ambiental,
relativos ao conhecimento e melhoria
de seu próprio ambiente; Publicações
periódicas: abordagem de assuntos
relativos aos recursos naturais da
região; Programas de orientação
ambiental: distribuição
de cadernos, calendários e
cartões com motivos ambientalistas,
produção de materiais
áudios-visuais da questão
ambiental, a partir das necessidades
e sugestões apontadas pelos
professores;
Esculturas
Ambientais: tem por objetivo
criar uma coleção escultórica
representativa da relação
entre o homem e fauna brasileira.
Parte da premissa que o homem tem
um compromisso histórico, cultural
e espiritual com as questões
que dizem respeito às ações
do mesmo sobre o ambiente onde vive
e atua. Nesse sentido, o projeto apresenta
uma leitura plástica desta
relação homem / natureza,
vinculando às necessidades
locais. As esculturas serão
localizadas ao ar livre, junto às
trilhas, abertos à visitação
pública, permitindo um diálogo
entre a linguagem estética
da obra e o bioma ao qual se referencia.
O projeto “Esculturas Ambientais”
prevê a elaboração
de um catalogo documental do conjunto
de obras, assim como a orientação
de suas posições geográficas.
Este material terá a função
de registro histórico.
Viveiros:
convenientemente dimensionados forneceram
mudas de arvores previstas para o
Parque e para toda cidade de Itapeva.
Além disso, procuraremos sempre
introduzir o aspecto educativo do
Parque e da sua vegetação.
Um viveiro de árvores nativas;
um viveiro de Plantas medicinais;
um viveiro de Plantas ornamentais,
e um viveiro de árvores frutíferas.
Produção de mudas de
espécies nativas e exóticas
ornamentais para serem doadas às
escolas, comunidades e outras instituições.
Produzir plantas nativas com intuito
de recuperar áreas degradadas
além de fornecer plantas nativas
para paisagismos em geral, assegurando
a sobrevivência de espécies
ameaçadas tanto vegetais como
animais que se alimentam delas.
Museu
do CEA: Organiza mostras
temporárias de peças
e fotos, utilizando o acervo guardado.
Mais do que abrigar, o Museu do CEA
visa conservar, pesquisar e comunicar
o seu acervo. Apresenta como uma casa
de informação e formação
de novas opiniões e mentalidades.
Acolhe pesquisadores de diferentes
áreas do conhecimento e encontra
nos visitantes a parceria ideal para
a realização de projetos
e eventos que envolvem a preservação
do meio ambiente.
Maquetes
das micro-bacias: Por meio
de uma grande maquete, que mostra
uma bacia preservada e outra sob o
efeito da devastação.
Com os professores das escolas, ajudando-os
no resgate histórico da área,
enfatizando a importância das
interseções do passado,
presente e futuro na compreensão
das mudanças a nível
ambiental.
Trilhas
interpretativas: Foram traçadas
as principais etapas do planejamento
de trilhas interpretativas, seleção
de indicadores e monitoramento de
impactos, onde serão abordados
ainda comparações operacionais
entre trilhas guiadas e auto-guiadas
e o uso de recursos lúdicos
para a sensibilização
ambiental. Ao realizar este planejamento,
deu-se ênfase à proposta
de uma trilha interpretativa auto-guiada,
adequada a deficientes físicos.
Para isso propôs-se a utilização
de passarela em todo o percurso da
trilha, com rampas e pontes, construídas
com cruzetas e com corrimão
firme, feito em eucalipto tratado
para servir de apoio, e transcrição
dos painéis interpretativos.
Ao todo, a trilha possui 12 pontos
interpretativos, distribuídos
em mil e quinhentos metros de percurso.
Os painéis falam da biodiversidade
do local e da importância da
conservação do Centro
de Educação Ambiental
Avelino Peixe Filho para o município,
por meio de uma linguagem adequada
a qualquer idade, pois é lúdica
e científica ao mesmo tempo,
abordando também aspectos históricos
relevantes para o local. Passeios
em trilhas ecológicas/desenhos
acompanhados de monitores, os quais
devem estimular as crianças
à curiosidade. Feito através
da observação direta
em relação ao ambiente,
os desenhos tornam-se instrumentos
eficazes para indicar os temas que
mais estimulam a percepção
ambiental do observador;
Pontes:
Construção de duas pontes,
uma sobre um valo seco. A escassez
de água no Planeta Terra, um
paraíso de água doce,
parece um absurdo, mas será
real num futuro não muito distante
e esta ponte de madeira, construída
sobre um valo seco, servira de alerta
máximo para a tragédia
irreversível que o desmatamento
provocará se continuar no ritmo
atual, no futuro iremos nos deparar
com centenas de pontes sobre rios
seco; e a outra sobre um pequeno lago
de água cristalina de uma nascente,
esta ponte de madeira, construída
sobre esse lago, servira como exemplo
de que teremos centenas de pontes
sobre rios, lagos, riachos com águas
cristalinas, se economizar água,
com pequenos gestos cotidianos, que
praticamos quase sem perceber.
Lagos:
Aproveitando a construção
do piscinão, obra inadiável
para minorar os efeitos das enchentes
propôs que seja construído
um espelho d’água. Com isso,
criamos uma faixa em torno do lago.
Alem disso, conseguiremos melhorar
sensivelmente as condições
de construção, pois
com a transformação
evitamos que as águas pluviais
passem sobre as avenidas alagando
toda a parte baixa da cidade. Ao total
formularemos 02 lagos, sendo eles
captadores das águas pluviais.
E no lago principal previmos um habitat
para os animais que vivem na mata.
Bosque:
predominarão em seu panorama:
desde bosques compactos, até
bosques mais abertos. Espécies
vegetais adequadas comporão
esses maciços e em certos trechos
tentaremos reconstruir a flora inicial.
Com isso, será possível
restabelecer o retorno da fauna de
pequeno porte.
Alojamento:
Alojamento para o grupo até
20 componentes, divididas em alas
10 femininas e 10 masculinas. Alojamento
de 200m² para abrigar anualmente
cerca de 100 estudantes e recém-formados
das áreas de ciências
biológicas, Engenharia Florestal,
Ambiental, veterinária e afim.
Os estagiários receberão
treinamento específico de acordo
com as atividades que irão
atuar o que pode incluir: trabalho
de campo junto aos moradores; monitoramento
das matas nas áreas de preservação;
educação ambiental junto
a turistas, estudantes e moradores
locais e reabilitação
de animais da nossa fauna, entre outras
atividades.
Centro
Ecológico: No Centro
Ecológico, os estudantes participarão
de atividades didáticas lúdicas
e interativas com as técnicas
e tecnologias ecológicas instalados
no local, com o objetivo de:
• Contribuir para a inclusão
científica;
• Possibilitar a compreensão
multidisciplinar do ensino de ciências;
• Fortalecer o vínculo entre
a comunidade e o Parque Ecológico;
• Propiciar o contado de crianças,
jovens e adultos com tecnologias sustentáveis,
ecológicas, criativas e de
aplicação no dia-a-dia;
• Propiciar o contato de crianças
jovem e adulto com o espaço
diferenciado do Centro Ecológico:
uma área reflorestada, onde
ira desenvolver tecnologias apropriadas,
atividades de restauração
florestal, agro ecologia entre outras.
A proposta da atividade não
se restringe ao momento das visitas.
Os professores da escola serão
previamente contatados para trabalhar
com as crianças os conteúdos
de estudo na sala de aula. Além
disso, planeja-se junto com os professores,
instalar na escola parte das tecnologias
e processos exemplificados no Centro
Ecológico, criando na própria
escola um laboratório ao ar
livre que possibilite trabalhar a
compreensão multidisciplinar
do ensino de ciências.
Estes experimentos têm como
característica a praticabilidade,
sua possibilidade de utilização
no dia-a-dia, tais como a composteira
caseira, o aquecedor solar de água
para banho, a coleta de água
de chuva, todos os experimentos de
baixo custo, o que contribui para
sua adoção pela escola
e pelas famílias dos estudantes.
Quiosque
de artesanato e suvenir:
Uma construção de 20
m², toda construída em
madeira de reflorestamento (Pinus
rolete) tratada, telha de barro, vidro
e alicerce de pedra. O artesanato
e o suvenir também terão
seu espaço no parque, principalmente
para aqueles visitantes que possuem
parentes em outros municípios
ou estados da federação,
chaveiros, relógios, camisetas,
artesanatos, bolsas, bonés,
artigos de papelaria, brinquedos e
outras lembranças serão
adquiridas e enviadas para as famílias
espalhada pelos quatro cantos deste
País. O Projeto Oficina de
Artesanato para a comunidade como
geração de renda. O
quiosque de artesanato e suvenir faz
parte de uma série de inovações
na comunicação e manutenção
do projeto. Oficinas: Confecções
de materiais como calendários
ecológicos, jogos ecológicos
e máscaras ecológicas
com reaproveitamento de materiais
de embalagens, vassouras de garrafas
pet, sacolas de lona, coador de pano
e outros.
Quiosque
lanchonete: Uma construção
de 40 m², redonda toda construída
em madeira de reflorestamento tratada,
telha de barro, vidro e alicerce de
pedra. A lanchonete ira servir somente
os visitantes do parque, e terá
em seu cardápio alimentação
saudável, o mais natural possível.
Todo o recurso arrecadado será
investido integralmente na conservação
do Parque e ações de
desenvolvimento comunitário.
Anfiteatro:
uma construção de m²,
toda construída em madeira
de reflorestamento tratada, telha
de barro, vidro, parede e alicerce
de pedra, com capacidade para 100
espectadores, que irá abrigar
espetáculos teatrais, seminários,
palestras.
Com isso, acreditamos estar dotando
de equipamentos não só
a faixa estudantil, mas toda a cidade,
que se tornou tão carente,
arrastada que foi por uma visão
imediatista e gananciosa.
Assim, propusemos para o Centro de
Educação Ambiental Avelino
Peixe Filho as características
de um CEA urbano, onde a população
possa usufruir plenamente essa faixa
aberta, estudar a nossa fauna e flora,
que integra os equipamentos de uso
social com o verde e a água.
Com isso nossa cidade, tão
carente de área livre ambiental,
passará a ter um CEA urbano
compatível.
Finalmente, o parque poderá
ser um elemento organizador do desenvolvimento
da cidade, pela sua ocupação
central. A partir disso, são
possíveis desenhos urbanos
claros e definidos.